OPINIÃO

Trânsito, engenharia e sociedade: uma relação muito mais que essencial!

21 de setembro de 2021 às 21:00
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Por Geraldo Canci, gerente da regional Cascavel do Crea-PR

Você já parou para pensar no trânsito? Costumo pensar que o trânsito é um organismo vivo. Enquanto no corpo humano temos células, hormônios e órgãos desempenhando funções específicas para atingir a excelência em saúde, no trânsito, vemos pedestres, motoristas, ciclistas e vias desenvolvendo, cada um no seu papel, ações que impactam diretamente uma na outra. No caso do corpo, por exemplo, se você é fumante há mais de 20 anos, é possível que o seu pulmão esteja comprometido e, por conta disso, problemas respiratórios surjam com frequência. No caso do trânsito, se um ciclista decide pedalar em local destinado apenas aos ônibus, por exemplo, todo o sistema também é impactado – o ônibus precisa se deslocar na via não-exclusiva, atrapalhando o fluxo de carros e motocicletas que, por conta disso, podem gerar um atropelamento de um pedestre que está caminhando fora da faixa.

Percebe como é um sistema complexo, dinâmico e “vivo”? Por conta disso, penso em como é importante o alinhamento entre trânsito, engenharia e sociedade. Enquanto nós, Engenheiros das mais diversas especialidades, trabalhamos para desenvolver sinalizações adequadas, melhoramento de vias e estratégias de mobilidade, a sociedade precisa se comprometer a agir corretamente, de acordo com as leis do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) para que haja harmonia no sistema protagonista: o trânsito.

Enquanto Crea, sempre estamos atentos às propostas que envolvem esse ambiente. Prova disso são os Estudos Básicos de Desenvolvimento Municipal redigidos por especialistas a pedido do Crea, com proposições de melhorias para assuntos relacionados a mobilidade e sinalização, e que são entregues nas mãos de gestores municipais nas ações de Agenda Parlamentar realizadas pelos Conselhos.

Se falarmos nos processos do novo modelo de concessão nas rodovias do Paraná, pegando outro exemplo, estivemos alertas e participativos, com a mobilização de um grupo temático focado apenas na proposição de aprimoramentos no modelo por meio dos Colegiados Regionais de Entidades de Classe – CDER, em suas 8 regionais (Apucarana, Cascavel, Curitiba, Guarapuava, Londrina, Maringá, Pato Branco e Ponta Grossa). Dentre as sugestões, destaco ações como adequações de marginais, criação de novos viadutos, duplicação de trechos específicos e implantação de ciclovias em espaços onde elas não estavam previstas.

Assim como o trânsito é um organismo dinâmico, nossas ações em relação a ele também devem ser. Precisamos, cada dia mais, trabalhar para garantir ou pelo menos chegar perto da harmonia entre todo os agentes. O simples ato de plantar uma árvore ou algum outro tipo de planta em local errado pode atrapalhar a visibilidade das sinalizações o que, consequentemente, pode gerar acidentes. Construir em áreas exclusivas para passagem de pedestres ou veículos também gera transtornos que poderiam ser evitados. São constantes ações que precisam ser revistas e pensadas de forma aprofundada antes de serem executadas, pois dentre tudo o que podemos fazer no contexto do trânsito, nosso maior objetivo é evitar as mortes. Só em Cascavel, por exemplo, no primeiro semestre deste ano, tivemos o registro de 28 óbitos – são 28 vidas perdidas em acidentes que, muito provavelmente, poderiam ter sido evitados.

Em 2020, em nível estadual, segundo dados da Polícia Militar, somente no primeiro semestre, houve registro de 13.176 feridos e 454 óbitos em decorrência de acidentes de trânsito. O balanço indicou, ainda, que nas vias urbanas ocorreram 30.878 acidentes, com 10.501 feridos e 158 mortes, de janeiro a junho do ano passado.

Precisamos colocar o pé no freio – mas não só enquanto motoristas. Enquanto cidadãos, é preciso sair do modo automático para refletir sobre o nosso papel no trânsito, seja enquanto pedestre, ciclista, motociclista, motorista de ônibus, caminhão ou carro. Somos membros ativos de um sistema que depende de atenção constante, cuidado consigo e com o próximo, empatia e paciência. Que possamos, portanto, utilizar esta Semana Nacional do Trânsito para refletir e, mais que isso, agir em prol de um trânsito mais seguro e consciente para todos.

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