Terra sem lei

Por Carla Hachmann

Mais parece capítulo de novela, daqueles dramalhões mexicanos, com direito a bastante exagero. Mas não é. É a vida real. Isto acaba de acontecer no Espírito Santo: o deputado estadual Capitão Assumção (PSL) ofereceu R$ 10 mil para quem matar o responsável pelo assassinato a tiros de uma mulher na frente da filha na madrugada de ontem.

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“Quero ver quem é que vai correr atrás para prender esse vagabundo”, disse, exibindo no telão do plenário da Assembleia Legislativa a foto da mulher assassinada. “Dez mil reais do meu bolso para quem mandar matar esse vagabundo. Ele não merece estar vivo, não. (…) Tem que entregar o cara morto, aí eu pago”.

O discurso da “autoridade”, no alto do seu foro privilegiado da tribuna, exibe um comportamento de quem vive em terra de ninguém.

Como se incita a violência dessa maneira? Justiça com as próprias mãos? Se houver um linchamento, de quem será a responsabilidade? Pior, e se pegarem o sujeito errado?

É fácil a gente apontar o dedo quando estamos distantes, ou no alto de uma tribuna bem protegidos. Queremos ver sangue quando alguém inocente é vítima de marginais, especialmente esses mais desumanos. Agora, e se a terra sem lei vira moda e ela começar a alcançar pessoas próximas a nós?

As regras e as leis existem porque um dia alguém se cansou de tanto problema e pensou em facilitar a vida em sociedade. Como alguém pode dar a outro o direito de matar? Quem pode decidir quem vive e quem morre? Hoje somos os justiceiros, mas amanhã podemos sofrer a ausência de leis.

 

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