Desde que chegou à capital paranaense, o bolsista do programa Geração Olímpica e Paralímpica Adailton dos Santos Gonçalves oferece aulas gratuitas de boxe para crianças e adolescentes. No último Campeonato Brasileiro Juvenil e Cadete de Boxe, dois pugilistas sob seu comando conquistaram bronze. Outro atleta ficou entre os 15 melhores no Campeonato Mundial de Boxe deste ano.

O olhar atento para jovens talentos e a vontade de transformar a vida das pessoas motivam Adailton a oferecer treinos diários e gratuitos na praça Mansueden dos Santos Prudente, no bairro Capão da Imbuia, em Curitiba. No projeto, chamado Dudhal Social, as turmas variam conforme as condições climáticas. Em dias ensolarados, cerca de 30 crianças e adolescentes aparecem para os treinos. Antes da pandemia, o projeto acontecia em outro local e com incentivo.

“Não queria ficar parado, os treinos fazem a diferença na vida da garotada. Alguns vão para o alto rendimento, outros saem das drogas e começam a trabalhar. O esporte tem uma filosofia que ajuda a transformar vidas e dar oportunidades”, conta Adailton. Para melhor treinar os atletas do projeto, ele fechou uma parceria com uma academia curitibana.

NOVOS TALENTOS – O programa do Governo do Estado, desenvolvido pela Superintendência Geral do Esporte, o Geração Olímpica e Paralímpica, é a maior iniciativa em nível estadual de incentivo ao esporte na modalidade bolsa-atleta do País. Em 2021, está completando dez anos e, nesse período, mais de 10 mil atletas e técnicos do Paraná receberam bolsas em forma de apoio financeiro.

Com seu projeto social, Adailton descobriu novos talentos no mundo do boxe. Entre eles, estão quatro bolsistas do Geração Olímpica e Paralímpica: Carlos André dos Santos Rocha, Caique Santos Baptista Cardoso, Cristiano André dos Santos Rocha e Gustavo Magentanz da Graça.

“O Carlos já está em 1º lugar no ranking nacional para 57 kg adulto; o Caique está em 2º no ranking 53 kg, juvenil. Temos trabalhado e construído para o Paraná estar entre os primeiros”, afirma Adailton.

Para ele, a bolsa do Geração Olímpica e Paralímpica é responsável por transformar vidas incentivando o esporte. Com a bolsa, ele e seus atletas conseguem custear as viagens. “Não seria possível para os atletas participarem de treinamentos e competições sem a bolsa. É necessária para a construção dessas carreiras”, enfatiza.

MELHOR TÉCNICO  Natural da Bahia, um dos berços do boxe, com uma carreira consolidada no Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo, Adailton topou o desafio de se mudar para o Sul. Em 2019, foi eleito o melhor técnico da modalidade. “Temos muito material humano de qualidade no Paraná. É só preciso direcionar à modalidade”, acredita.

Ele se tornou técnico principal da Federação Paranaense de Boxe (FPB). O presidente da entidade, Cesar Augusto Barrison, afirma que conhece há mais de dez anos o trabalho de Adailton e que o técnico é especialista em alto rendimento.

Atualmente, ele é o responsável por montar as equipes da FPB para competições, conta com apoio de outros técnicos de diversas localidades do Estado. “Ele vem fazendo um ótimo trabalho. Elevando a qualidade técnica dos atletas, era uma necessidade que tínhamos. Ele é específico de rendimento. Alguém que abraçasse, é demorado o alto rendimento, mas estamos trabalhando”, enfatiza Barrison.

CONQUISTAS – O Paraná voltou com três medalhas do Campeonato Brasileiro Juvenil e Cadete de Boxe, realizado em Cuibá, Mato Grosso, entre os dias 7 e 10 de novembro. Durante a competição, a equipe feminina conquistou o segundo lugar geral. Na categoria feminino juvenil, Rayssa Carneiro cravou o ouro. Na categoria Cadete masculino o Estado ficou com o bronze de Guilherme Santos. Já na juvenil masculino, Felipe Cardoso conquistou bronze.

“Felipe e Guilherme treinam diariamente comigo. Vi a Rayssa lutando em uma competição e convidamos ela para se preparar para com a equipe da FPB para a competição”, explica.

Na Sérvia, em Belgrado, o bolsista do Geração Olímpica e Paralímpica Wanderley de Souza Pereira disputou o Campeonato Mundial da modalidade pela primeira vez. Treinado por Adailton, ficou entre os 15 melhores pugilistas da categoria meio médio (69 kg). “Foi uma experiência muito boa, faço parte da Seleção Brasileira desde o começo desse ano. Foi a primeira vez que sai do país, estar entre os melhores do mundo e representar o Brasil foi muito bacana. O resultado não foi o esperado, mas seguimos tentando”, conta.

Atualmente, Wanderley é número 2 do ranking nacional. Desde 2019, o atleta se mudou para Curitiba em busca de aperfeiçoar seu treinamento com Adailton. Para ele, o diferencial do técnico é seriedade no que faz e a entrega por completo. O próximo desafio será o Campeonato Brasileiro Elite (categoria adulto masculino e feminino) em Cuiabá, Mato Grosso. A delegação paranaense embarca dia 04 de dezembro para o último desafio do ano.

(AEN)