As Sociedades Brasileiras de Pediatria (SBP), Imunizações (SBIm) e Infectologia (SBI), em parceria com o Rotary Internacional, fizeram um manifesto chamando atenção da população sobre a importância de manter a vacinação em dia para evitar doenças e suas sequelas, como o sarampo e a poliomielite. O documento alerta a população e os profissionais de saúde para a real possibilidade de retorno da pólio e da reemergência do sarampo em território nacional.

O manifesto também mobiliza a todos a participarem da Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e o Sarampo que ocorrerá em todo o País de 6 a 31 de agosto, reforçando que a imunização continua sendo a melhor ferramenta na promoção e manutenção da saúde da população brasileira.

Desde que observou queda nas coberturas vacinais do País, o Ministério da Saúde tem alertado sobre o risco da volta de doenças que já não circulavam mais, como o sarampo. A vacina é a forma mais eficaz de manter o País livre de doenças já eliminadas e erradicadas.

A coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Carla Domingues, ressalta que a manutenção da população protegida através de elevadas coberturas vacinais é fundamental para manter o País livre de doenças imunopreveníveis. “As coberturas vacinais são heterogêneas no Brasil, podendo levar à formação de bolsões de pessoas não vacinadas, possibilitando, assim, a reintrodução do poliovírus e do sarampo. O recente surto no país, em Roraima e Manaus, evidencia nossas inadequadas coberturas vacinais e a urgente necessidade de melhoria dessas taxas”, comentou Carla Domingues.

O Ministério da Saúde oferta todas as vacinas recomendadas pela OMS (Organização Mundial da Saúde) no Calendário Nacional de Vacinação. Atualmente, são disponibilizadas pela rede pública de saúde, de todo o país, cerca de 300 milhões de doses de imunobiológicos ao ano. São 19 vacinas para combater mais de 20 doenças, em diversas faixas etárias.

SARAMPO

Há registros de casos de sarampo em alguns países da Europa e das Américas, inclusive, na Venezuela que faz fronteira com o Brasil. Em 2017, foram 173.330 casos de sarampo registrados no mundo, a maioria em países da Europa e nos Estados Unidos. Atualmente, o Brasil enfrenta dois surtos de sarampo, em Roraima e Amazonas. No entanto, os surtos estão relacionados à importação. Isso ficou comprovado pelo genótipo do vírus (D8) que foi identificado, que é o mesmo que circula na Venezuela. Até o dia 17 de julho, foram confirmados 519 casos de sarampo no Amazonas, 3.725 permanecem em investigação. O estado de Roraima confirmou 272 casos da doença e 106 continuam em investigação.

Além disso, alguns casos isolados e relacionados à importação foram identificados nos estados de São Paulo (1), Rio de Janeiro (14); Rio Grande do Sul (13); Rondônia (1) e Pará (2).

POLIOMIELITE

De acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), três países ainda são considerados endêmicos (Paquistão, Nigéria e Afeganistão). O Brasil está livre da poliomielite desde 1990. Em 1994, o país recebeu, da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), a Certificação de Área Livre de Circulação do Poliovírus Selvagem.