Ser mãe era um dos sonhos da Katyuscia Soler Demezuk, e a amamentação sempre esteve nos planos. Há dois meses, o André veio ao mundo, e o aleitamento materno se tornou um desafio. Ela e a esposa, Dariane Barbosa da Silva, são técnicas de Enfermagem do HUOP (Hospital Universitário do Oeste do Paraná), e precisaram recorrer ao Banco de Leite Humano para conseguir ofertar o leite para o recém-nascido.  “Não imaginei que eu ia ter essa dificuldade por ter trabalhado nessa área, mas uma coisa é orientar e explicar para as mães terem calma que o leite vai descer, outra é sentir no organismo tudo isso acontecendo”, explica Katyuscia.

Sabendo da importância do aleitamento materno, André visitou o Banco de Leite vários dias seguidos. “Toda manhã acordava e estava pronta para sair e vir no hospital. Ganhei instruções e o apoio que eu precisava, e ressalto, nesse momento não importa a formação, no papel de mãe todas somos inexperientes igual qualquer outra pessoa. A rede de apoio é essencial para essa confiança e com esse acolhimento tudo flui. Hoje eu venho aqui feliz e para agradecer toda a dedicação dessas profissionais”, afirma Katyuscia.

ORIENTAÇÃO – O Banco de Leite do HUOP tem o papel de orientar as mães com relação à amamentação. “É importante essa rede de apoio para que elas não desistam de oferecer o leite materno, até mesmo para aquelas que voltam ao trabalho. Tem muitas mães que não tem informação de como esgotar o leite, e nem mesmo sobre a legislação que prevê o direito a amamentação e o período para o procedimento de esgotar o leite. Nosso papel é esse de informar, e garantir esse leite materno até o tempo indicado, que é dois anos ou mais”, explica a enfermeira do Banco de Leite, Anelise Vieczorek.

Não é necessário agendar horário. As mães que tiverem dificuldades com a amamentação podem ir ao Banco de Leite nos dias de semana em horário comercial, das 8h às 17h e no fim de semana, sábado e domingo, das 8h às 12h.

INCENTIVO AO ALEITAMENTO MATERNO – O incentivo à amamentação acontece desde as primeiras horas de vida. É logo após o nascimento, chamado da hora de ouro, que o recém-nascido deve receber o leite materno pela primeira vez. “É nessa hora que o bebê está ativo e tem o instinto de procurar o seio. Nesse momento é importante ele já receber o leite materno para proteção, além de ter o contato pele a pele com a mãe, essencial para desenvolver imunidade”, explica a enfermeira consultora em amamentação, Jociani Castro.

Mesmo depois desse primeiro incentivo, o Huop conta com a enfermeira exclusiva para esse atendimento na maternidade. “Sabemos que muitas mães desistem por conta da dificuldade, e nossa intenção é ajudar e apoiar a mãe de todas as formas para que essa mãe possa amamentar de forma eficaz”, diz Jociani.

O tempo de internamento dos bebês recém-nascidos é de no mínimo 48 horas, e de acordo com a diretora de Enfermagem, antes desse atendimento exclusivo, as mães chegavam a ficar 5 dias até que o bebê conseguisse ganhar peso. “Sempre escutei muito sobre essa demanda, que havia muitos bebês que continuavam internados na maternidade pois as mães não conseguiam amamentar e o bebê não ganhava peso. Esse auxílio de uma enfermeira exclusiva para isso foi fundamental com relação ao tempo de hospitalização”, afirma a diretora de Enfermagem, Sara Treccossi.

Além do acolhimento no hospital, a rede de apoio familiar também é importante. “Quando se é mãe a insegurança vem, e o acolhimento é essencial para a segurança e tranquilidade das mães. É nesse momento que tudo flui, e quando se tem o apoio da família é mais importante ainda, dá ainda mais segurança para essa puérpera”, comenta a coordenadora da Enfermagem da Maternidade, Renata Oliveira.

Para quem é mãe a amamentação é mais do que apenas uma alimentação, é um sonho, e por isso, o incentivo e a informação sobre o tema é fundamental. “Orientar a amamentação demanda tempo, e é um assunto que ainda é tabu. Não amamentar pode desencadear muitas vezes uma frustração e um ponto de partida para a depressão pós-parto, por isso, é necessário falar sobre, e acolher essas mães da melhor forma possível. Esse é o papel do Huop, acolher e humanizar o atendimento”, avalia Sara.

Quem passou por essa dificuldade e precisou desistir da amamentação durante a primeira gestação foi Talita Cristiane Duarte de Souza. Há 3 anos, no nascimento do primeiro filho, ela sofreu com uma cólica renal, o que a impossibilitou na produção do leite. “Tomei medicação, porém não voltou, e eu fiquei bastante abalada, pois era um sonho”, conta.

Na segunda gestação, também teve dificuldade, mas com a orientação conseguiu não apenas amamentar, mas também se tornou doadora de leite. Com 8 dias, Isis Vieira continua internada na UCI do HUOP, mas hoje (02), na Semana do Aleitamento Materno, conseguiu realizar o sonho de doar 500 ml de leite. “Eu achei que não tinha leite, mas com massagem e com a orientação consegui tirar também com a maquininha, e hoje, vi que era bastante leite, tirei três vezes durante a madrugada, o que me oportunizou fazer a doação. Era uma vontade que eu tinha, pois sei da importância do leite materno, que muitas crianças que estão internadas precisam”, ressalta Talita.

DOAÇÃO – Além da orientação, o Banco de Leite Humano também recebe doação de cerca de 150 mães por mês. Essa doação é fundamental para alimentar os bebês internados na UTI Neonatal, além da Unidade de Cuidados Intermediários do HUOP. “São cerca de 6 litros por dia utilizados para alimentar esses bebês internados nessas unidades”, comenta enfermeira do Banco de Leite, Anelise.

Todo o leite passa por um processo de cinco dias, desde a pasteurização até a análise da qualidade. “Isso para garantir todo cuidado com o alimento, que é essencial para esses bebês prematuros, que nesse momento estão sensíveis”, comenta Anelise.

Para doar, basta ligar no Banco de Leite através do telefone (45) 3321-5243, para receber as orientações. Toda mãe saudável, com os exames do pré-natal em dia, pode fazer a doação. O cadastro é feito pelo telefone. Após as orientações, o frasco esterilizado para coleta é levado até a casa da doadora, e uma vez por semana a equipe busca o leite.