Saiba se compensa converter um motor de carro para gás natural

Com a alta da gasolina a partir de 2015, o gás natural veicular (GNV) passou a ser uma alternativa mais barata para os motoristas particulares e taxistas. De 2008 até aquele ano, no entanto, o consumo caiu ano a ano, até estabilizar em uma queda de 27,3% na venda do combustível. Derivado do petróleo, a vantagem do GNV é que o preço oscila menos do que a gasolina. Apesar desse detalhe, o kit de instalação pode ser custoso e as recentes altas no valor do gás podem não tornar o negócio tão vantajoso, principalmente para quem não roda muitos quilômetros.

Neste ano, o preço do GNV atingiu um patamar histórico de alta, de acordo com dados divulgados pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). No começo de abril, o metro cúbico do gás natural veicular foi vendido a R$ 3,18, seis centavos a mais do que do pico histórico, atingido em 2009, em valores já corrigidos pela inflação. Acontece que naquela época o Brasil sofria de escassez do produto. Hoje, no entanto, já há GNV suficiente para abastecer os postos. Segundo dados do Ministério de Minas e Energia, em 2018 o Brasil importou uma média de 22,1 milhões de metros cúbicos por dia da Bolívia, quase 10 milhões a menos do que a capacidade total.

A alternativa, no entanto, pode ser benéfica em alguns casos, mesmo em momentos de alta. Para fazer o cálculo, o condutor deve analisar quantos quilômetros faz com o gás natural veicular e com outros combustíveis. Sabendo o valor de cada um, é possível chegar a uma conclusão sobre qual combustível é o melhor para cada ocasião. Em geral, carros que rodam muitos quilômetros são os que mais se beneficiam com a substituição da gasolina ou até mesmo do etanol.

O pico maior da procura pelo GNV ocorreu durante a greve dos caminhoneiros no ano passado. Com a alta dos preços da gasolina, os motoristas procuraram por alternativas mais eficientes e baratas. À época, o GNV era uma opção capaz de proporcionar uma queda em mais da metade dos gastos em relação à gasolina, de acordo com simulação feita pelo professor de finanças Fábio Gallo, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), para a Revista Exame. Enquanto o álcool permitia uma economia mensal de 8,39% em relação à gasolina, no GNV essa economia era equivalente a 56,5%.

Mas ainda há outro ponto que deve ser levado em conta para a instalação do kit gás. O custo desse trâmite pode chegar na casa dos milhares de reais — um conjunto da quinta geração, por exemplo, pode ser instalado por cerca de R$ 5 mil. Além disso, o motorista terá que realizar a inspeção veicular, gastar com documentação no caso de mudanças na característica do carro, além de fazer vistorias anuais. Todo esse acréscimo pode representar aproximadamente R$ 300 a mais no valor da conversão do motor para gás natural.

Se mesmo com esses gastos a escolha for benéfica e econômica, o próximo passo é pesquisar com cuidado para encontrar uma oficina que faça esse tipo de trabalho. Sempre preze pela qualidade das ferramentas disponíveis, como inversora de solda e outros equipamentos. Outra dica é consultar a avaliação dos outros clientes que realizaram o mesmo serviço com a oficina.



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