O pagamento do 13º salário aos quase 104 mil trabalhadores cascavelenses – funcionários públicos e do setor privado – vai injetar na economia local quase R$ 262,7 milhões. O pagamento é feito, geralmente, uma parcela no fim de novembro e a outra até o dia 20 de dezembro.

A estimativa dos valores é do Escritório Regional do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) no Paraná.

Cascavel é o quarto município do Estado com maior volume financeiro que o salário extra representará. Essa conta não inclui os trabalhadores informais.

Por aqui, o valor médio a ser recebido por trabalhador é de R$ 2.533,49, 19% inferior à média do 13º dos paranaenses que estão no mercado formal e que receberão o benefício próximo de R$ 3.143,08.

Para o presidente do Sindilojas (Sindicato dos Lojistas e do Comercio Varejista de Cascavel e região Oeste do Paraná), Leopoldo Furlan, os recursos são esperados com ansiedade após três anos de crise e com natais marcados pelas “lembrancinhas”.

Neste ano, a expectativa não é das mais surpreendentes, mas as vendas deverão superar em 7% as registradas ano passado. “Qualquer acréscimo nas vendas é importante por estamos vindo de uma crise que afetou em cheio o varejo. O movimento nas lojas ainda não é grande, mas acreditamos que comece com o pagamento da primeira parcela do 13º”, acrescentou.

 

As dívidas como prioridade

Leopoldo Furlan reconhece que uma parcela importante desse valor deve ser usada para pagar dívidas. “As pessoas não deverão deixar de comprar presentes para a família. O importante é comprar de forma consciente, que caiba no bolso, não sujar o nome em seguida e acabar prejudicando também o lojista”, completou.

A dica do economista Marcelo Dias é bastante racional. Ele afirma que a recomendação de sempre é mantida: quitar as dívidas, principalmente aquelas cujos juros são muito elevados, como cheque especial e cartão de crédito. “Não se pode esquecer que o 13º salário foi criado para as compras de fim de ano, os presentes natalinos, uma viagem com a família, mas existe vida e as contas que vencem depois do Natal e do Réveillon. Planejamento tem sido a palavra de ordem. Faça contas e gaste o que de fato você pode pagar”, orienta.

Pensar no futuro próximo

O economista Marcelo Dias reforça ainda que, pagas as contas e feitas as compras e sobre um dinheirinho, é imprescindível fazer uma poupança para a infinidade de boletos que chegam no início do ano. “Materiais escolares, IPVA, IPTU… Essas contas são quase um Papai Noel, não esquecem de ninguém”, brinca.

 

Na ponta do lápis

Há quem siga à risca as dicas e aguarda o 13º salário para pôr as contas em dia. “Dois terços serão para isso. Ao longo do ano acumulei dívidas principalmente com o cartão de crédito e preciso quitá-las”, diz o operador de máquinas Luan Bruno de Almeida.

O vigilante Juarez de Lara também já está com o 13º praticamente comprometido: “Preciso colocar as contas em dia já que o ano foi difícil”.