Toledo – O fim de semana prolongado não tem sido de folga no campo na região oeste do Paraná. Alias, estima-se que até metade das lavouras destinadas à oleaginosa na safra de verão deste ano seja semeada até este domingo (9). O produtor deverá aproveitar o solo ainda úmido da chuva dos últimos dias para lançar as sementes no solo.

Apesar de ainda estar no período de vazio sanitário, ele só encerra amanhã (10), não há proibição do plantio das lavouras. O que não pode haver até este dia é a planta emergida, ou seja, já brotada.

Desta vez, a tendência é para que o campo avance com o cultivo superprecoce e precoce, diferente do que se viu na safra 2017/2018 quando uma estiagem severa atrasou o cultivo em um mês e quem iria semear em setembro teve que deixar para plantar em outubro. Ocorre que em outubro do ano passado choveu, em média, mais de 900 milímetros na região e muitas lavouras foram varridas pelas enxurradas e precisaram ser replantadas. Os meses seguintes foram de oscilação entre chuvas intensas e excesso de sol, além de temperaturas mais baixas que atrasaram o ciclo. Foi então que apareceram diversos casos de ferrugem asiática, mais de cem deles segundo o Consórcio Antiferrugem da Embrapa, em lavouras comerciais do oeste.

Em janeiro, quando parte das lavouras entrava para o fim do ciclo, o excesso de umidade prejudicou mais uma vez. Na soma dos fatores, mais de metade das plantações da região teve o ciclo atrasado, em média, em um mês e parte dos que plantou soja não teve tempo hábil para semear a safrinha do milho, pois ainda tinha oleaginosa no campo quando encerrou o zoneamento do milho. Com perdas médias que chegaram aos 20%, mesmo assim o oeste fechou com produção, no ano passado, de algo em torno de 3,6 milhões de toneladas de soja.

Desta vez, a aposta é nas boas condições do tempo, a começar pela chuva que já colaborou com o encharcamento da terra no momento da semeadura.

Segundo a economista do Deral (Departamento de Economia Rural) do Núcleo Regional da Seab (Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento) de Cascavel, Jovir Esser, nos 28 municípios de cobertura a área destinada à soja neste cultivo é um pouco menor se comparada à safra passada. A tendência é para que abaixe de 569.775 hectares para 561.250, mas a expectativa é para que a colheita desta vez seja maior. Em decorrência das perdas do ciclo passado, a produção no núcleo regional foi de 1,908 milhão de toneladas. Agora a esperada é de 2,077 milhões de toneladas. “Os hectares a menos na soja deverão migrar para o milho. Acreditamos que neste fim de semana ocorra intensificação do plantio da soja em todo o núcleo“, avaliou.

Já no Núcleo de Toledo, onde estão 20 municípios de cobertura, a área é maior que a registrada na safra de verão passada, mas só de dois mil hectares. Por lá serão cultivados 482 mil hectares, com expectativa inicial de produção de 1,807 milhão de toneladas. “Estas estimativas são iniciais, mas teremos um diagnóstico preciso de área e de produção em outubro, quando encerra todas as colheitas da safra de inverno”, reforçou o técnico do Deral em Toledo, Paulo Oliva.

Por lá, o plantio também deverá ser intensificado neste fim de semana.

Na soma, em todo o oeste, deve ser semeado algo próximo a 1,06 milhão de hectares e uma produção esperada, considerando as estimativas iniciais, de 3,9 milhões de toneladas. “Geralmente a germinação leva de cinco a sete dias, mas nas condições do tempo agora [dias mais frios], deverá levar uns dez dias, então na metade do mês já teremos soja emergida nas lavouras de toda a região”, destacou o técnico do Deral em Toledo.