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RIO ? Relatório divulgado nesta quinta-feira pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês) aponta que o consumo per capita de peixes superou a marca dos 20 quilos anuais pela primeira vez. Contudo, a boa notícia traz consigo um efeito negativo: o aumento de produção está pressionando os estoques ao limite sustentável. Segundo o relatório, cerca de 90% dos estoques globais estão no limite máximo de exploração ou em sobrepesca, o que ameaça o futuro de ecossistemas marinhos.

Desde os anos 1970, a sobre-exploração do pescado mais que triplicou. O relatório bienal aponta ainda que 40% das espécies populares, como o atum, estão sendo capturados de forma insustentável. Em entrevista ao ?Guardian?, o diretor da FAO para a pesca, Manuel Barange, afirmou que taxas de sobrepesca de aproximadamente 60% nas regiões do Mediterrâneo e do Mar Negro são ?particularmente preocupantes?.

? Existe um limite absoluto do que podemos extrair do mar e isso está bem próximos dos limites de produção atuais, que se estabilizaram ao longo dos últimos anos ? disse Barange. ? As taxas aumentaram um pouco, mas não esperamos crescimento maior por causa do avanço da produção em aquicultura.

De acordo com as estimativas, a aquicultura deve superar a pesca selvagem dos peixes mais consumidos em 2021. Entretanto, ambientalistas temem que criações introduzam espécies invasoras, doenças e parasitas nos ecossistemas. O uso potencial de poluição química e uso de espécies transgênicas também causam preocupação. Para Lasse Gustavssin, diretor da ONG Oceana, é preciso priorizar cultivos com práticas sustentáveis.

? Nós temos agora um quinto a mais de estoques globais em níveis preocupantes do que tínhamos em 2000 ? disse o ambientalista. ? O impacto ambiental global da sobrepesca é incalculável e o efeito sobre as economias costeiras é muito grande para que isso continue sendo varrido para debaixo do tapete.