Grupos da Arquidiocese de Cascavel organizam para a próxima sexta-feira (3) a Caminhada pela Vida, uma manifestação em repúdio à decisão da ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) Rosa Weber de colocar novamente em pauta a legalização do aborto no Brasil até a 12ª semana de gestação. Hoje o aborto é considerado crime e tanto a mulher quanto o médico que realizou o procedimento podem ser detidos.

Segundo um dos organizadores da caminhada, Remir José de Souza, que faz parte do Setor Família da Arquidiocese, o movimento é organizado pela Igreja Católica e deve reunir 5 mil pessoas em Cascavel. A intenção, conforme ele, é lutar contra a iniciativa de Rosa Weber, que, em outras ocasiões, já se mostrou favorável à legalização. “Como cristãos, somos totalmente a favor da vida e contra a cultura da morte”, diz Souza.

A caminhada

A caminhada começa às 20h em frente à Catedral Nossa Senhora Aparecida e segue até a sede da Justiça Federal, na Avenida Tancredo Neves. Cada participante levará uma vela acesa, além de faixas e cartazes durante a vigília, que ocorre em um trajeto de quatro quilômetros.

Casos permitidos

Atualmente, a interrupção da gravidez só é permitida no País em três casos: se a mulher corre risco de morrer por causa da gestação; se a fecundação ocorreu por estupro ou se o feto é anencéfalo (sem cérebro) e, por isso, não conseguirá sobreviver após o parto.

Discussão mundial

O caso mais recente de legalização do aborto aconteceu na Argentina, em junho, quando a Câmara dos Deputados aprovou o ato apenas por decisão da mulher até a 14ª semana de gestação. Foram 129 votos favoráveis, 125 contrários e uma abstenção. Agora, a lei precisa ser aprovada pelo Senado. Se passar pelo crivo do Congresso e pela sanção do presidente Mauricio Macri – que se declara pró-vida, mas que afirmou não vetar a decisão dos senadores -, a Argentina será um dos países latino-americanos (ao lado de Uruguai e Cuba) que permitem o aborto em qualquer circunstância.