Foz do Iguaçu – Fechada desde 17 de março, a Ponte da Amizade deve continuar assim pelo menos até 6 de setembro, nova data da prorrogação da quarentena no Departamento de Alto Paraná, cuja capital é Cidade do Leste. A medida foi adotada em função do avanço dos casos e óbitos do novo coronavírus naquela região.

O decreto foi publicado pela Presidência da República na noite de domingo (23) e traz ajustes leves, como autorização para reabrir as academias, mas mantém uma série de restrições.

Durante a vigência da normativa, a circulação de pessoas fica autorizada das 5h às 20h, três horas além das 17h, que vigorava até então. A venda de bebidas alcoólicas só pode ser feita até as 20h. As estações de serviço podem funcionar até as 23h.

A região de Alto Paraná concentra um terço das infecções por covid-19 no Paraguai e 83 dos 205 óbitos. E Cidade do Leste têm aproximadamente 80% dos casos de Alto Paraná.

Segundo o prefeito Miguel Prieto, a quarentena restrita foi efetiva na questão sanitária, mas destruiu a questão econômica: “Esse é o nosso dilema de agora”, disse Prieto.

O prejuízo em Cidade do Leste é calculado em US$ 2,5 bilhões desde o início da pandemia e mais de 75 mil pessoas ficaram sem renda, informa a Câmara de Comércio local.

Escândalos

Paralelo à quarentena severa, o combate ao novo coronavírus se perde com escândalos. Empréstimos milionários, corrupção, falta de abastecimento ou violação da quarentena sanitária foram alguns dos acontecimentos que relegaram fortemente os esforços que a saúde pública vem implementando desde o início da pandemia, ressalta editorial do jornal Última Hora.

Cooperação

Em meio a todo esse dilema, Cidade do Leste e Foz do Iguaçu avançam num plano de cooperação fronteiriça para fortalecer a assistência de saúde e permitir a reabertura da Ponte da Amizade.

Em reunião virtual das autoridades dos dois municípios, nessa terça, um dos pontos acordados foi que Cidade do Leste fará um novo estudo sobre o avanço da covid-19 no município, agora com testes rápidos, como informa o jornal La Clave.

Uma pesquisa feita pela prefeitura local revelou que o número de infectados seria 25 vezes maior que o número oficial do Ministério de Saúde Pública. Contudo, os novos estudos ajudam a acompanhar o avanço e a tendência da pandemia na cidade.

A discussão das prefeituras das duas cidades prevê a possibilidade de levar pacientes paraguaios aos hospitais de Foz caso faltem em Cidade do Leste.

Em uma primeira sinalização animadora, o governador de Alto Paraná, Roberto González Vaesken, sugeriu, em entrevista a uma rádio paraguaia, que sejam adotados protocolos para que, num prazo de 10 a 15 dias, possa ser planejada a reabertura da Ponte da Amizade.

Ainda se recuperando da covid-19, o governador lamentou que a fronteira está morrendo economicamente: “Hoje estou de acordo com que se abra a fronteira. Em todo o mundo se abriram as fronteiras. O Estado não vai poder suportar isso por muito tempo. É algo [covid-19] com que teremos que conviver. O uso de máscaras deve ser obrigatório. Deve-se respeitar as medidas sanitárias. Já não se pode paralisar o país”, disse Vaesken.