Curitiba – Devido à pandemia da Covid-19, o faturamento das concessionárias do pedágio no Paraná caiu em 2020. Contudo, parece que neste ano as padageiras não sofreram com os efeitos da crise financeira que assola o Brasil, pois juntas as seis concessionárias que administram as rodovias do Anel de Integração do Paraná, já faturaram mais de R$ 2 bilhões neste ano.

O valor arrecadado até ontem, 22 de outubro de 2021, é somente R$ 500 milhões a menos do que os R$ 2,658 bilhões arrecadados durante todo o ano de 2020. Não bastasse isso, a marca de R$ 2 bilhões de arrecadação foi alcançada em um momento bem anterior que o normal.

As seis concessionárias monitoradas pelo pedagiômetro atingiram ainda em 20 de setembro, a marca de R$ 2 bilhões de tarifas pagas por mais de 70 milhões de veículos. No ano passado, essa cifra expressiva foi alcançada somente em 2 de dezembro, ou seja, três meses depois. Em 2019, ano pré-pandemia a marca foi atingida em 26 de novembro. Nos anos anteriores, 2018 e 2017, a marca também foi alcançada em novembro. Já em 2016, em dezembro. Ou seja, atingir essa marca em setembro é um recorde.

Até à tarde de ontem, 22 de outubro, o pedagiômetro, que foi criado com o objetivo de oferecer mais transparência para os pedágios do Paraná, registrou a arrecadação total de R$ 2.162.277.116,80, em 2021. E o total de tráfego registrado foi de 72.679.625 veículos que transitaram pelo Anel de Integração do Paraná.

Criado com anos de atraso, já que o sistema de controle era previsto no início da concessão, há 24 anos, o pedagiômetro é alimentado atualmente com informações de todas as seis concessionárias. A Econorte, responsável pela administração do lote 1, não divulgava os dados de arrecadação há mais de dois anos por conta de uma disputa judicial, contudo, neste ano, os dados voltaram a ser publicados.

As informações de arrecadação, tráfego e quantidade por categoria apresentadas por Lote de Concessão são atualizadas a cada 24 horas no site do DER.

 

Movimentação

Com base nessa atualização, a maior movimentação financeira é da Rodonorte, com R$ 724 milhões e 26,3 milhões de veículos. Já a Ecocataratas, concessionária que administra o lote 3, trecho entre Foz do Iguaçu e Guarapuava, arrecadou neste ano R$ 282.238.521,30. O tráfego neste lote foi de 9.788.073 de veículos. Já a Viapar, responsável pelo lote 2, arrecadou um total de R$ 377.173.022,80, com tráfego de 17.523.096.

As seis concessionárias foram contratadas em 1997 e os contratos se encerram em 26 e 27 de novembro deste ano. Conforme o DER-PR (Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná), de 1998 a 2020, elas faturaram R$ 44 bilhões (em valores atualizados). Para se ter uma ideia, esse valor é maior que todos os investimentos previstos para a próxima concessão (R$ 43,5 bilhões) de 30 anos, que pretende arrecadar R$ 156 bilhões (254% a mais) nas mesmas 27 praças e mais 15 novos pontos de cobrança que serão implantados, incluindo uma praça entre Cascavel e Toledo, na BR-467, em trecho já duplicado e pago com recursos do Estado.

Tabela I – Arrecadação 2021

 

Turini quer manutenção do Pedagiômetro

O deputado estadual Tercilio Turini (CDN) cobrou da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) a inclusão do Pedagiômetro no edital de licitação e nos contratos das futuras concessões de rodovias do Paraná. A intenção é obrigar as novas concessionárias a cumprirem a lei estadual que determina a implantação do instrumento para fiscalização do movimento de veículos e valores arrecadados nas praças de pedágio.

“O Paraná sofreu muito com os atuais contratos, que finalmente se encerram no próximo dia 27 de novembro. Foram 24 anos de exploração dos paranaenses e demais usuários das rodovias, com as tarifas de pedágio mais caras do Brasil. Valores abusivos que por mais de duas décadas oneraram demais toda a cadeia produtiva e pesaram excessivamente no bolso do cidadão. E mesmo com tarifas, muitas das obras previstas nas concessões não foram executadas”, argumentou o deputado em requerimento aprovado pela Assembleia Legislativa do Paraná e encaminhado ao diretor geral da ANTT, Alexandre Porto Mendes de Sousa.