Toledo – Diante de todas as instabilidades vividas pelo setor pecuário no Estado do Paraná, uma delas pode servir de alento aos produtores. O governo – por meio da Seab (Secretaria de Agricultura e Abastecimento) – pediu ao Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) para que conceda ao Estado o status de livre de aftosa sem vacinação fora do bloco em que vem sendo avaliado e que inclui o Mato Grosso do Sul e o Rio Grande do Sul. A ideia original, partindo de um cronograma nacional, era de que essa concessão só ocorreria se as condições sanitárias fossem aprovadas em todo o bloco. A desincompatibilização permitiria que apenas as condições de sanidade animal do Paraná fossem avaliadas nas auditorias que estão sendo feitas pelo Mapa.

O ministério ainda não deu resposta, mas alguns sinais indicam que este será o último ano que o Paraná deverá vacinar seus rebanhos. Um desses indícios foi de que, na auditoria feita por técnicos do ministério em janeiro em algumas regionais no Estado – no oeste a equipe esteve em Toledo -, foram solicitadas apenas informações complementares, sem grandes apontamentos ou ressalvas para mudanças emergenciais. Ou seja, está tudo em ordem por aqui.

Nova campanha

Essa informação chega às vésperas do início da primeira etapa da campanha de vacinação do ano, de um total de duas, que se inicia em 1º de maio e segue até o dia 31. Como nada mudou ainda, os bovinos e os bubalinos de até dois anos de idade deverão tomar a vacina e os proprietários precisam fazer a confirmação na Adapar (Agência de Defesa Agropecuária do Paraná) sob pena de multa, mais a necessidade de fazer a imunização assistida.

As vacinas começaram a ser ofertadas nas casas veterinárias nesta semana e cada dose custa cerca de R$ 1,50. Bem menos do que os R$ 100 de multa por animal não vacinado. Em todo o oeste, a imunização deve atingir 542 mil cabeças.

400 mil animais na fila para a imunização

No Núcleo Regional de Cascavel, com cobertura em 28 municípios, de um total de 915 mil animais, pelo menos 400 mil que têm menos de dois anos e precisam receber as doses em maio. O que tem assegurado ao Paraná uma boa condição sanitária contra a doença, desde a descoberta dos últimos casos em 2005, é a efetividade dos pecuaristas no momento de vacinar. As campanhas têm alcançado muito perto dos 100% de cobertura vacinal e esses dados também foram avaliados pelo Mapa.

“A vistoria feita em janeiro resultou em boas avaliações, ao menos isso foi o que indicou o resultado parcial em que pediram apenas medidas complementares e esclarecimento de dados, mas vale lembrar que essa não é uma decisão tão simples de ser tomada. Vai além das questões sanitárias, tem aspectos políticos também, mas por ora fomos bem avaliados [no Paraná] e só se está corrigindo pequenas coisas. A parte técnica está caminhando bem”, declarou o veterinário Juliano Moura, da Adapar.

Essas questões políticas a serem complementares à decisão têm a ver com um plano nacional cujo cronograma prevê estender a vacinação no Brasil até 2022. Isso prorrogaria para, além deste prazo, ao menos mais dois anos até a organização internacional conceder o status de livre da doença para o mercado externo e abrir de vez os canais de exportação. “O que o Paraná pediu foi para antecipar esse prazo, que está muito longo ainda”, reforçou o veterinário.

Se deixar de vacinar em 2019, o Paraná poderia ter a derrubada de barreiras internacionais em 2021.

Reconhecimento internacional

Em maio deste ano o Brasil terá o reconhecimento – pela primeira vez na história – de status de livre da febre aftosa mas com vacinação. Esta condição será anunciada em um encontro internacional do Conselho de Sanidade Agropecuária. E por falar em condições internacionais, há ainda aspectos que preocupam as barreiras sanitárias no Brasil. Há duas semanas a vizinha Colômbia registrou casos de aftosa. Ali o que se cogita é que a doença esteja diretamente relacionada às dúvidas sanitárias da Venezuela, já que a confirmação da doença veio de uma região de fronteira entre os dois países. “Claro que o registro na Colômbia preocupa e a situação sanitária da Venezuela também. Por lá o status sanitário é desconhecido, não se sabe se algo está sendo feito para conter a doença”, reforçou Juliano Moura, ao lembrar que os registros na Colômbia estão distantes da fronteira com o Brasil e possuem cerca de 600 quilômetros de mata densa que dificultaria a chegada do vírus ao País. “Isso exige um monitoramento pleno de controle à doença (…) Tem muita fronteira seca que começa no Brasil e termina na Venezuela ou na Colômbia”, completou.

Quanto ao Paraná, o veterinário reconhece que é necessária a manutenção de cuidados com o controle interno e atualização de plantel. Ele sabe que uma boa avaliação da condição sanitária vai ajudar a dar respaldo para que o fim da vacinação seja antecipado.

Núcleo de Toledo

No Núcleo Regional de Toledo, dos 380 mil bovinos existentes, ao menos 152 mil deles deverão receber as doses em maio.

A confirmação da imunização deve ser feita em uma das unidades da Adapar ou pelo site da agência. O processo é simples e rápido e impede que o pecuarista receba em casa a fiscalização. A partir de junho todas as propriedades que não confirmaram a imunização receberão fiscais da Adapar para a vistoria. Se a imunização não foi efetuada, haverá a aplicação da multa mais a vacinação assistida.

Em todo o Paraná, de um plantel de pouco mais de 9 milhões de cabeças, 4,2 milhões têm até dois anos e devem, portanto, ser imunizados durante o mês de maio.