Com a frustração das previsões de acelerar a vacinação contra a covid-19 neste mês, o Paraná chega à última semana de abril com 592.190 idosos sem receber sequer a primeira dose, dos quais 76,7% (453.977) têm entre 60 e 69 anos.

Abril começou com 1,150 milhão de paranaenses dos grupos prioritários vacinados. Com a promessa do Ministério da Saúde de vacinar 1 milhão por dia no País, o Paraná esperava receber ao menos 1,5 milhão de doses. Contudo, até ontem, tinha conseguido vacinar apenas 32,7% a mais que em março, totalizando 1.527.463 até as 15h dessa sexta. Ou seja, apenas 377.034 pessoas receberam a primeira dose neste mês.

Com o avanço da vacinação em março e a esperança de que o ritmo fosse mantido, o governador Ratinho Junior chegou a anunciar a antecipação da imunização de professores em abril para a retomada das aulas presenciais. Questionada nessa sexta sobre a intenção de vacinar os profissionais da educação, a assessoria do secretário de Saúde, Beto Preto, desconversou: “Há previsão de continuidade no plano. Objetivo é evoluir em todos os grupos prioritários. Mas o importante é que o Ministério da Saúde envie mais vacinas para que a campanha possa avançar e mais pessoas sejam imunizadas”. A reportagem insistiu na questão, mas não houve mais resposta.

Mesmo sem concluir a vacinação de idosos, o Estado deu início à vacinação de profissionais de forças de segurança e das Forças Armadas. Neste mês, 5 mil receberam a primeira dose, o que equivale a 13% da meta, de 37 mil previstos no plano estadual. A orientação é nacional.

Inclusive, o plano prevê, logo depois dos idosos, o início da imunização de pessoas com comorbidade, que representam um quarto do total de prioritários, e pessoas com deficiências graves, que somam mais 400 mil, que correspondem ao 13º e 14º grupo, respectivamente. Trabalhadores da educação estão em 18º, enquanto forças de segurança e armadas, em 20º e 21º, respectivamente.

O plano estadual de vacinação prevê imunizar 4,6 milhões de pessoas até junho, que pertencem aos grupos prioritários. Ou seja, foram vacinados (1ª dose) até agora 32,9% da meta, e 14,62% da população total do Estado.

Das primeiras doses distribuídas até a última quinta-feira, 92,6% foram aplicadas. Das segundas doses, a taxa de aplicação está em 57,9% (666.966), uma vez que requerem um intervalo entre as doses, de 14 a 28 dias para a Coronavac e de 12 semanas para a Covishield.

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Ritmo lento pode desencadear terceira onda de covid-19

Cerca de três meses após o início da vacinação, o Brasil conseguiu aplicar a primeira dose da vacina contra a covid-19 em cerca de 13% da população. Apenas 5,3% está imunizado com as duas doses. O ritmo lento da imunização assusta especialistas, que alertam para o surgimento de uma possível terceira onda da covid-19 no País.

O médico infectologista Alexandre Cunha, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, enumerou três problemas que o ritmo lento da vacinação pode acarretar: o surgimento de novas variantes, a probabilidade de uma terceira onda de contágio e mortes, “se vacinássemos a população antes de isso acontecer, evitaríamos muitas mortes”, e, terceiro, o fim da imunidade: “Como a gente não sabe durante quanto tempo dura a imunidade induzida por vacinas, quem foi vacinado primeiro pode perder a imunidade até se imunizar todos os extratos da população”.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, havia prometido entregar 30,5 milhões de doses dos imunizantes. Contudo, até o momento, há garantia de 24 milhões. O principal motivo do atraso seria a falta de insumos.