COTIDIANO

Para entidades, é cedo para medir impacto da operação

07 de março de 2018 às 04:57
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Toledo – Por mais que o diagnóstico ainda não seja claro e entidades de classe não falem em reflexos iminentes às exportações após a deflagração de mais uma etapa da Operação Carne Fraca, desta vez tendo como alvo exclusivamente a BRF (Brasil Foods), dona das marcas Sadia e Perdigão, o mercado internacional começa a pedir explicações sobre a produção de carnes brasileiras.

Tanto a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) quanto a Associação Brasileira de Avicultura avaliam que ainda não dá para estimar se haverá retração das vendas externas, mas o mercado começa a se movimentar.
Numa carta às autoridades brasileiras, a Europa pede esclarecimentos sobre a dimensão do novo escândalo. Por enquanto, a Comissão Europeia indica que as certificações exigidas depois da primeira fase da Operação Carne Fraca, em 2017, continuam em vigor. Também estão mantidos os controles reforçados em todas as fronteiras da Europa para garantir "a segurança do produto importado para a UE".

Mas Bruxelas deixa claro que "a Comissão poderia tomar medidas adicionais consideradas como necessárias à luz das informações que recebamos". "As atuais condições de importação de carne do Brasil apenas permitem a importação de um número limitado de estabelecimentos", explicou.

De fato, desde meados de 2017 a Europa praticamente fechou uma parte substancial de seu mercado diante do que considerou como uma incapacidade do governo brasileiro em dar garantias da qualidade do produto vendido.
Ontem, o Centro de Segurança Alimentar de Hong Kong também pediu explicações ao governo brasileiro. Além de terem certeza que o produto consumido por eles não oferece risco à saúde, essa fatia de asiáticos quer saber mais sobre as garantias de qualidade. No ano passado, quatro dias após a Operação Carne Fraca ter sido deflagrada, Hong Kong proibiu a importação de carne de aves congeladas e resfriadas do Brasil.

Segundo uma fonte do Jornal O Paraná, considerando que o Oriente Médio é o principal mercado atendido pela BRF, é pouco provável que não ocorra algum tipo de embargo às exportações e não se descarta que uma das unidades atingidas seja a de Toledo, que emprega cerca de 8 mil trabalhadores. “De todo modo, é preciso entender como será o comportamento do mercado e como o Brasil vai se posicionar (…) Muito do que é abatido em Toledo vai para Hong Kong”, destaca.

Abrafrigo apoia ações, mas pede urgência na mudança da legislação

Preocupada com os efeitos da terceira etapa da Operação Carne Fraca sobre o patrimônio empresarial do setor de frigoríficos brasileiros que levou décadas para ser formado, gerando mais de 4 milhões de empregos e com a possível perda da confiança internacional sobre os produtos brasileiros que visam ao mercado exportador, a Abrafrigo (Associação Brasileira de Frigoríficos) defendeu em nota a “urgente mudança na legislação sanitária para resolver problema da presença da salmonella nas carnes”.
“Nós já encaminhamos um expediente à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em maio do ano passado solicitando uma urgente e eficaz revisão da legislação sanitária vigente que possa estabelecer os padrões microbiológicos de alimentos para consumo humano, em especial a incoerência da questão da salmonella, cuja presença nas carnes levou à suspensão da produção e da comercialização de alguns produtos de empresas em decorrência da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, e que agora volta a ganhar notoriedade em virtude de uma nova ação da Polícia Federal”, diz a entidade.
Em nota, a Abrafrigo afirma que defende as investigações aprofundadas e corretas das irregularidades, que “levem à exemplar punição dos envolvidos, mas é preciso lembrar que este problema aflige a indústria de carnes há muitos anos. Notadamente aquelas empresas que se dedicam ao processamento industrial de embutidos tendo como matéria-prima carnes cruas como os fabricantes de hambúrgueres, almôndegas e outros produtos formatados cujos ingredientes incluem a carne de frango e a carne suína”. 
A entidade afirma que a legislação atual, emanada tanto do Ministério da Agricultura, do Ministério da Saúde e da própria Anvisa, é “dúbia, subjetiva e contraditória”. “Como pode um setor industrial utilizar a matéria-prima em cuja presença a salmonella não é proibida e obter um produto acabado sem salmonella?”, indaga a entidade, que reúne empresas que representam mais da metade do mercado de carne bovina do País. “É por isso que solicitamos reiteradamente que se busquem normas regulatórias que ofereçam segurança para o consumidor e que respeitem o direito das empresas em trabalhar com parâmetros legais certos e definidos para resolver este tipo de problema e evitar situações como a encontrada pela terceira etapa da Operação Carne Fraca”, conclui a nota.

Ex-gerente se entrega e é preso

O ex-gerente industrial da BRF em Carambeí, nos Campos Gerais do Paraná, Luiz Augusto Fossati se entregou à PF (Polícia Federal) em Curitiba ontem. Ele era o único dos 11 alvos de prisão temporária da 3ª fase da Operação Carne Fraca, deflagrada na segunda-feira (5), que ainda não tinha sido encontrado. Entre os presos, além do ex-gerente, também está o ex-diretor-presidente global da BRF Pedro de Andrade Faria.

“Ele vai se defender durante o depoimento, esclarecer tudo que lhe incumbia. Ele nem sabe o que estão imputando a ele e alguns dos acusados ele sequer conhece. Ele está bastante tranquilo”, disse o advogado de Fossati, Alexandre Knopfholz.
Nessa fase da operação, quatro unidades da BRF são investigadas: em Carambeí e em Rio Verde (GO), que produzem frango; em Mineiros (GO), que produz peru; e em Chapecó (SC), que produz ração. 

Segundo a PF e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, essas quatro fábricas fraudavam laudos relacionados à presença de salmonela em alimentos para exportação a 12 países que exigem requisitos sanitários específicos de controle da bactéria do tipo salmonela spp. Em nota, a BRF afirma que segue normas de qualidade e que vai colaborar com as investigações “para esclarecimento dos fatos”. A empresa é dona de marcas como Sadia e Perdigão e é a maior exportadora de carne de frango do mundo, com vendas em cerca de 150 países.

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