Curitiba – A menos de 72 horas para o fim das convenções partidárias a corrida eleitoral paranaense mudou drasticamente. Até então segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto ao governo do Paraná, muitas vezes empatado tecnicamente em primeiro lugar, mas sempre apontado no segundo turno em outubro, o ex-senador Osmar Dias (PDT) desistiu de disputar as eleições neste ano.

Agora, os demais partidos, especialmente PP e PSD, têm 48 horas para redefinir as estratégias e dividir o apoio daqueles que estavam com Osmar. Pode parecer pouco, mas a desistência muda drasticamente as estratégias e o cenário dos demais postulantes.

Embora a desistência de Osmar já vinha sendo aventada, o próprio rechaçava a possibilidade. Na quarta-feira ele anunciou que não coligaria com o MDB de Roberto Requião, o que lhe garantiria mais tempo de TV. Mas foi a coligação entre seu irmão, o senador Alvaro Dias (Podemos) com o PSC nacional, na quinta-feira, a gota d’água. As especulações se multiplicaram e Osmar silenciou. O deputado federal Ricardo Barros (PP), coordenador da campanha de Cida Borghetti, chegou a cogitar um convite para Osmar ser o candidato ao Senado do grupo.

Assim, as próximas horas, até domingo à noite, fim do prazo das convenções partidárias, serão de intensa articulação política.

Especulações

Ontem, o colunista Rogério Galindo, da Gazeta do Povo, informou sobre a movimentação intensa no Palácio Iguaçu. Segundo ele, o empresário Joel Malucelli (Podemos) foi visto no Palácio, onde teria ido tratar de eleições com Ricardo Barros (PP), “mas não se sabe exatamente o conteúdo da conversa”.

O que se sabe: Joel é suplente de Alvaro Dias (Podemos) no Senado, sogro de João Arruda (MDB), o homem que pode garantir um segundo turno para Cida Borghetti (PP). Após o anúncio de Osmar, o MDB adiou para domingo sua convenção, um prazo a mais para as articulações e definições.

Outro que foi ao Palácio ontem conversar com Ricardo Barros foi Fernando Francischini (PSL). O delegado quer a vaga do ex-governador Beto Richa (PSDB) ao Senado na chapa de Cida.

 

Tudo pode acontecer

O cenário ficou tão confuso que especialistas têm opiniões bem divergentes. Para o diretor da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, é “substancial” a alteração no cenário eleitoral e já aposta em turno único. Hidalgo acredita que o principal beneficiado da desistência de Osmar Dias é Ratinho Jr (PSD), que deixa de ter um concorrente com quem disputava votos diretos.

Já o cientista político Doacir Quadros acredita que quem também pode lucrar com a desistência é a atual governadora Cida Borghetti (PP). Ela corria o risco de ficar à sombra do pedetista e, agora, vê o caminho mais livre. Quadros não acredita na possibilidade de o cenário beneficiar Dr. Rosinha (PT). “O partido vive um momento muito ruim no Paraná”.

Alívio

Uma opinião é unânime: Roberto Requião e Beto Richa respiram aliviados com a decisão de Osmar. Isso porque havia a hipótese de ele trocar a candidatura ao governo pelo Senado, o que ameaçava diretamente os dois mais bem cotados nas pesquisas de intenção de voto até agora.

Contudo, na carta em que divulgou ontem, Osmar afirma que não irá participar das eleições de 2018 – contudo, ele continua sendo assediado para disputar o Senado e, como todos sabem, na política tudo pode acontecer até o minuto final.

Articulações

Para Murilo Hidalgo, as próximas horas, que já seriam agitadas por conta dos acertos finais de apoios e definições de vices que ainda estão abertas no Paraná, agora serão “muito” intensas.

O PP corre para evitar um esvaziamento com partidos que podem migrar para a campanha de Ratinho Jr. acreditando em vitória no primeiro turno.

Também fica em suspenso o cenário eleitoral do PSDB, que, para não ficar sem palanque no Estado, pode inclusive lançar candidatura ao governo. Também o apoio do próprio PDT será disputado, inclusive na esfera nacional, para garantir palanque a Ciro Gomes no Paraná.