A nova escalada no número de casos e de internamentos por covid-19 no Sudoeste reacendeu o alerta sobre cuidados básicos para evitar o contágio pelo coronavírus. Após enfrentar o pico da doença entre agosto e setembro, os casos estabilizaram em outubro, mas voltaram a crescer consideravelmente nas duas últimas semanas. “Não estamos falando de uma segunda onda. Ainda vivemos a primeira onda, mas um efeito recrudescência, que é um intervalo seguido de uma nova alta nos casos”, pontuou a diretora geral do Hospital Regional do Sudoeste, Cíntia Ramos.

No Hospital Regional, que é a referência para internamentos por covid-19 na região, a taxa de ocupação de leitos de UTI na ala covid-19 chegou a 90% nesta quarta-feira. Em toda a região, ainda há mais de 2,3 mil pacientes suspeitos aguardando resultado de exames e, diante deste cenário, a perspectiva é de que haja um aumento na demanda por leitos. Um dos pontos que causa preocupação é que, além do aumento dos casos suspeitos, a taxa de positividade – o percentual de exames que confirmam a doença – também aumentou nas últimas semanas.

 Alerta

Os dados e a preocupação com o crescimento da covid-19 na região foram expostos em uma coletiva de imprensa convocada pela Comissão de Saúde da Amsop (Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná. Representantes do colegiado, formado pelo Hospital Regional, Samu, ARSS, Conims, Regionais de Saúde e conselho de secretários de Saúde, apresentou um panorama do novo avanço da doença e uma carta com recomendações, enviada às prefeituras e entidades de classe.

“O que estamos fazendo é um apelo à população, aos empresários e ao poder público para que ações básicas de prevenção – como uso de máscara, higiene das mãos e distanciamento – sejam enfatizadas e que novas medidas restritivas sejam avaliadas dentro da realidade de cada cidade, além do cumprimento de protocolos e de ações de saúde. Não é uma determinação, mas um alerta diante do cenário que estamos vivenciando e da perspectiva que ele se agrave”, explicou Cezar Bueno, coordenador da Comissão de Saúde.

Desafios

Um dos pontos levantados por Bueno é que no final do ano aumentam os internamentos por traumas, acidentes e outros tipos de complicações que podem ter o atendimento afetado diante da sobrecarga dos hospitais pela Covid. Uma eventual ampliação de leitos não é possível devido à dificuldade de encontrar profissionais de saúde – muitos estão exaustos e agora entram em escala de férias. Ele também ressaltou que não se trata de uma “cruzada contra o comércio”, mas do cumprimento de medidas eficazes para evitar a disseminação do vírus.  “Desde quem vende o cachorro quente na praça até as maiores empresas são fundamentais para as cidades, mas precisamos tomar ações e atitudes eficazes contra o vírus, com menor impacto à economia”, disse.

Desde o início da pandemia, o Sudoeste soma 12.947 casos de covid, com 178 óbitos e 9.684 recuperados, segundo dados apresentados pelas regionais de Saúde na coletiva.

Principais recomendações

  • Revisão de decretos que flexibilizam festas, bailes, casas de shows, clubes e eventos esportivos.
  • Prefeituras devem evitar a realização de eventos de fim de ano, como abertura do Natal, visita ao Papai Noel e réveillon.
  • Solicitação de apoio da Polícia Militar na fiscalização das medidas.
  • Intensificação do rastreamento e monitoramento dos contatos de casos suspeitos.
  • Elaboração de plano de comunicação pelos Municípios para reforçar medidas de prevenção junto à população.
  • Empresas devem evitar confraternizações de fim de ano.
  • Manutenção de atividades comerciais, desde que asseguradas medidas que evitem o contágio do vírus pelos funcionários e clientes.
  • Cumprimento rigoroso de protocolos do Ministério da Saúde, Opas e Secretaria de Estado nas instituições de assistência à saúde da rede privada
  • Suspensão de atividades religiosas por 15 dias.
  • Intensificação das ações dos comitês municipais de enfrentamento à covid-19.
  • Colaboração da população para o uso de máscara de forma efetiva, distanciamento social em locais públicos e isolamento domiciliar, quando possível.

Fonte: Assessoria/Amsop