O tamanho do Estado que queremos

Por Carla Hachmann

Com uma das maiores cargas tributárias do mundo, no Brasil, pelo menos um terço de tudo o que se produz é recolhido para sustentar a máquina pública. É muito dinheiro, mas é pouco para o governo (que recebe), que não consegue nunca cobrir o furo das contas, e é insuficiente para quem paga (o povo), que nunca tem todos os serviços que lhe são oferecidos.

Em resumo, nas palavras de do escritor e diplomata Roberto Campos, “o Brasil tem carga tributária escandinava e oferece serviços públicos africanos”.

Ano passado, o brasileiro trabalhou 153 dos 365 dias do ano apenas para pagar impostos. Neste ano, deve ser uns dois ou três dias a mais. Hoje, apenas Cuba, com 41,7% de impostos sobre o PIB, supera a carga tributária do Brasil, de cerca de 33,5% do PIB.

Uma coisa é certa. Não dá para pagar pouco e querer muito, assim como não dá para pagar muito e ficar com pouco. Precisamos estabelecer o tamanho do Estado que queremos e então brigarmos para pagar exatamente pelo seu peso.

Em 2014 o Instituto Data Popular foi às ruas e constatou que oito de cada dez brasileiros preferem ter serviços públicos melhores a pagar menos impostos. Ou seja, “terceirizamos” ao governo os serviços essenciais e pagamos caro por isso.

O custo dessa terceirização é sentido no setor produtivo, que não consegue fazer frente ao mercado exterior, devido ao chamado “custo-Brasil”. Sem ele, a economia não cresce, não gera emprego e renda e continuamos a pagar caro por serviços ruins. Talvez seja a hora de girarmos a roda no sentido inverso.



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