O “peso” do crédito

Por Carla Hachmann

O Brasil vive um paradoxo: de um lado, registra a menor taxa básica de juros da sua história. De outro, recordes nas taxas de crédito pessoal ou empresarial, especialmente quando o assunto é cheque especial e/ou cartão de crédito.

A conta dos juros é cara e representa cerca de 8% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. É por isso que, no Brasil, em vez de ter a função de impulsionar a economia, o crédito tem sido um peso muito pesado, que leva muita gente e até empresas à falência.

Para se ter uma ideia, a taxa média do cheque especial chegou a 322% ao ano, conforme o Banco Central. Mas, na ponta do lápis, é maior ainda ao consumidor: acrescido IOF, sobe para 351% ao ano. Ou seja, 58,5 vezes a
Selic.

Por isso que muitas vezes um pequeno contratempo pode virar uma dívida impagável. Isso porque os juros fazem com que qualquer valor aumente exponencialmente e o que era difícil se torna impossível.

Apesar de (con)vivermos com isso, a realidade é muito diferente em outros países. Para se ter ideia, a taxa média do cheque especial nos Estados Unidos é de 17% ao ano; na Alemanha, é de 22%.

No momento em que o Brasil discute a liberdade econômica e a simplificação tributária, incluir a questão dos juros no debate é de suma importância. Afinal, quantas empresas fecham as portas porque sua dívida no banco ficou impagável? São empregos perdidos, renda que deixa de ser gerada, e agrava-se o caos social.

Este é o momento de se fazer uma reengenharia financeira, institucional e tributária. Na dúvida, basta copiar o que outras economias de mercado fazem com um foco: restabelecer ao crédito sua verdadeira função: ser um propulsor da economia, não mais seu algoz.



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