São Paulo – A quarta-feira terminou com nova queda do dólar (0,81%), cotado a R$ 5,535 para venda, marcando a segunda queda consecutiva. É o menor valor de fechamento em quase dois meses, desde 17 de novembro de 2021, quando a moeda americana alcançou os R$ 5,524. Já o Ibovespa chegou a sua segunda sessão seguida de alta, esta de 1,84%, e encerrou o dia aos 105.685,66 pontos — maior patamar desde 17 de dezembro (107.200,56 pontos).

Com os resultados de ontem, a moeda americana agora registra queda em relação a dezembro, somando perdas de 0,74% frente ao real nos primeiros dias de 2022. Já o Ibovespa acumula alta de 0,82%, depois de despencar quase 12% em 2021.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

 

Inflação nos EUA

Contribuíram para a queda do dólar e a alta da Bolsa os dados da inflação nos Estados Unidos divulgados hoje pelo Departamento do Trabalho. Segundo a pasta, o índice de preços ao consumidor subiu 0,5% em dezembro, e terminou 2021 acumulado em 7% — maior patamar em quase 40 anos, desde junho de 1982. Apesar de recordes, os números estão dentro do esperado pelo mercado, segundo pesquisa da Reuters (0,4% em dezembro e 7% em 2021).

“O dólar enfraqueceu após os dados”, comentou Gustavo Cruz, economista e estrategista da RB Investimentos, acrescentando que a inflação alinhada à expectativa dos investidores não aumenta a pressão sobre o Fed (Federal Reserve, o Banco Central americano) para que acelere uma eventual alta de juros.

O Fed já tem indicado com bastante clareza que, em meio à inflação alta e sinais de aperto no mercado de trabalho, começará a aumentar os custos dos empréstimos neste ano. Para Cruz, a tendência é que ao final deste mês, na primeira reunião de política monetária de 2022, a autoridade deixe o terreno preparado para uma alta de juros em março.

Existe um entendimento de que mesmo a alta de juros lá fora não vai gerar o enxugamento expressivo de liquidez nos mercados emergentes, e isso está dando esse suporte para os ativos, incluindo o real.

 

Foto: ABR