Em fase final de recuperação da Covid-19 e aos 67 anos, Luiz Carlos Paiva faz um balanço dos 20 anos que foi homem forte do Automóvel Clube de Cascavel. Ele assumiu a secretaria executiva do clube em 1979 e ficou até 1999. Ainda comandou as lanchonetes do autódromo por mais sete anos, mas na base de liminar na Justiça, em batalha com o então presidente Paulo Mion.

Paiva iniciou sua história no Automóvel Clube quando Jefferson Ribeiro chegou à presidência. Também trabalho nas gestões de Ildo Rebellato e Pedro Muffato. Neste período Paiva foi homem forte, a ponto de pilotos e dirigentes afirmarem que ele mandava no clube mais do que a diretoria. Mas na pratica trabalhava, corria atrás das coisas e fazia a roda girar, Deixou seu nome na história do automobilismo de Cascavel. Hoje se dedica ao comércio e instalação de ar-condicionado.

Paiva faz um balanço de sua passagem pelo automobilismo e destaca que algumas pessoas deveriam ser lembradas pelo que fizeram, como Almir Hucz, que na condição de diretor-financeiro elaborou o plano de contas do clube, que foi usado por muitas diretorias.

No computo geral, Paiva diz que fez amigos e inimigos no automobilismo, mas amigos e destaca alguns que se tornaram seus irmãos, com quem tem contato até hoje, como Roberto César Cirino, Valmor Weiss (faleceu este ano), Mauro Luiz “Peixinho” Turcatel e Pedro Lecheta. Os inimigos, prefere não nominá-los, mas também são muitos. De todos os seus atritos, só se arrepende do embate com Levy Luiz Soares. “O problema com o Levy não um mal entendido. Ele queria fazer muitas coisas e nos desentendemos, como as mesas que ele mandou construir no bosque ao lado dos boxes. Falei a ele coisas que não deveria ter falado. Hoje, certamente não teria falado tudo aquilo e não teríamos criado aquela confusão”, diz Paiva.

Paiva também diz que existem pessoas que fazem muita falta ao automobilismo, à sociedade, ao circulo de amizades e nomina Ildo Rebellato, Jefferson Ribeiro da Fonseca e Delci Damian. “O Damian era um parceiro para toda hora. Nunca dizia não e estava lembre alegre. Vivemos bons momentos, que dão saudades”, relata Paiva.

Analisando o automobilismo de outrora e de hoje, Paiva diz que antigamente este esporte era feito por abnegados, pessoas apaixonadas. Hoje o automobilismo virou um negócio, um comércio. Mas reconhece também que no passado muita gente militou no automobilismo por projeção pessoal. Alguns conseguiram até fazer com que suas empresas ficassem conhecidas. Aqueles integraram o clube ou participaram do automobilismo com cunho político não se deram bem, tanto no passado como recentemente.

Paiva x Mion

Os atritos com Paulinho Mion, que o levaram a deixar o Automóvel Clube teve origem na cerveja Kayser. “O Paulinho detestava a Kayser, mas ela era exclusiva nas lanchonetes do autódromo porque a Coca Cola era uma grande parceria. Todos os anos reformava todas as lanchonetes do autódromo em troca da exclusividade. O Paulinho não aceitava e a briga foi feia. Mas hoje tenho que agradecê-lo porque ele me fez um favor. Deixei o clube, fui cuidar de outras coisas, como minha ex-mulher me aconselhava. Fui estudar, fiz curso no SENAI, passei a atuar no ramo de eletricista e hoje atuo no ramo de venda e instalação de ar-condicionado. Se não fosse o Paulinho minha vida não teria tomado outro rumo”, frisa Paiva.

Prefeito Paranhos

Paiva também traz para a conversa um pouco da história de Cascavel. Ele informa que conheceu Leonaldo Paranhos, atual prefeito de Cascavel quando ele era empregado da Sengravel, de José Carlos Gomes de Almeida (já falecido), que fazia toda a publicidade do clube e a locução das corridas. “O Paranhos era contato publicitário do Almeida e nos dias de corrida também ia para o batente. Era eu e ele que colocávamos os alto-falantes nos postes. No domingo, depois que o público deixava o autódromo, pilotos e dirigentes iam embora, eu e o Paranhos subíamos novamente nos postes para tirar os alto-falantes”, finaliza Paiva.