A história de Wendryu Gabriel Balansin, de 17 anos, emociona e causa dor e revolta. O drama do rapaz começou ainda em 2015, quando teria sido abusado sexualmente por um homem que havia lhe contratado para prestar um dia de serviço. Em janeiro deste ano, ele não conseguiu mais suportar seu segredo e contou à família o que tinha lhe acontecido. Registraram boletim de ocorrência, mas tudo só piorou a partir de então. Conforme sua família, ele passou a ser ameaçado de morte pelo suposto agressor.

Em depressão profunda, Wendryu foi visto pela última vez dia 19 de dezembro. E no fim da tarde dessa quarta-feira (26) chegou a notícia que sua família tanto temia. Seu corpo havia sido encontrado em uma pedreira abandonada no Bairro Universitário, zona sul de Cascavel. Ao lado, sua mochila com seus documentos.

“Ele sempre foi um menino muito carinhoso e, do nada, nós notamos uma mudança muito grande no seu comportamento. Ele começou a ficar revoltado, nervoso e nós até pensamos que estivesse envolvido com drogas, porque ele mudou 100%. Então em janeiro, quando ele nos contou que havia sofrido o abuso, começamos a entender, mas daí ele já estava em uma depressão profunda demais”, conta o pai Vladmir Balansin.

Devastado pela notícia e pela perda precoce, Vladmir tenta manter a serenidade ante as hipóteses de o jovem ter cometido suicídio ou ter sido assassinado: “Ele [o suposto agressor] não escondia de ninguém as ameaças que fazia. Falou para várias pessoas no bairro e a polícia já vinha investigando… mas nós estamos procurando não culpar ninguém antes de saber o real motivo da morte dele”.

A dor de Wendryu era tão intensa que há menos de um mês ele já havia tentado tirar a própria vida. O pai conta que o rapaz deu várias voltas apertadas com fita esparadrapo ao redor do pescoço e se deitou na cama, mas foi encontrado e socorrido: “Ele já não respirava mais. Se não tivéssemos chegado, ele não teria sobrevivido”.

 

Perfuração no corpo

Durante o dia de hoje foi aventada a hipótese de que Wendryu teria sido assassinado, pois o corpo apresenta perfuração no tórax que pode ter sido causada na queda do paredão de pedra de cerca de 25 metros como também pode ser fruto de um tiro ou de uma facada.

O corpo foi levado para o IML (Instituto Médico Legal) de Toledo para passar pelo raio-X, já que Cascavel ainda está sem o aparelho, e foi feita necropsia. Agora, a Polícia Civil aguarda o laudo oficial, que deve demorar pelo menos 30 dias para ficar pronto, para confirmar a causa da morte do garoto.