Irregularidades: Governo tinha 400 queixas contra a JMK

Os investigadores revelaram ainda que não tinham opção de escolher oficinas, pois, na capital, a JMK costumava direcionar os serviços para três estabelecimentos

Curitiba – Interrogados nessa terça-feira (10) pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da JMK da Assembleia Legislativa, gestores de frotas da Polícia Civil e da Sesa (Secretaria Estadual da Saúde) relataram várias irregularidades cometidas pela empresa gestora da frota do Estado desde o início do contrato, em 2015, como faturamento de serviços não executados, direcionamento de oficinas, adulteração de orçamentos – através da instalação de peças alternativas cobradas como se fossem originais, e superfaturamento.

Segundo o presidente da CPI, deputado estadual Soldado Fruet (Pros), os depoimentos foram muito esclarecedores: “O que muito me espanta é que há 400 protocolos de irregularidades registrados na Secretaria Estadual de Administração e Previdência pelos órgãos públicos usuários desde 2015. Mesmo assim, o governo do Paraná fez seis aditivos e manteve o contrato com a JMK, apesar do descontentamento generalizado com o trabalho da empresa”, afirmou.

Segundo ele, a CPI está apurando esses fatos para verificar de quem foi a responsabilidade pelas práticas irregulares e se houve cometimento de algum crime.

Os depoentes também apontaram a falta de pessoal no Deto (Departamento de Gestão do Transporte Oficial) para fiscalização do contrato. “Esse descaso com o dinheiro público tem que acabar. O governo tem que colocar mais efetivo na fiscalização”, destacou o presidente da CPI.

Oitivas

Em situações distintas, os investigadores da Polícia Civil Aureo Lincoln Crovador da Silva – que era superintendente do 5º Distrito Policial de Curitiba em 2015 – e Delcio Domingos Ferreira – à época superintendente do Nucria (Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente) – relataram que abriram ordens de serviço para a JMK providenciar o reparo de viaturas. Sem retorno da empresa, nem chegaram a levar os veículos para as oficinas, e, devido à urgência, conseguiram efetuar os consertos com recursos do fundo rotativo. Porém, eles contaram que, em consulta posterior ao sistema online da JMK, os serviços constavam como faturados e pagos.

Os casos foram repassados aos superiores hierárquicos e ao Deto para providências e também constam na representação da Polícia Civil na Operação Peça Chave, que investiga o esquema fraudulento comandado por pessoas ligadas à JMK que teria desviado pelo menos R$ 125 milhões dos cofres do Estado.

Os investigadores revelaram ainda que não tinham opção de escolher oficinas, pois, na capital, a JMK costumava direcionar os serviços para três estabelecimentos. O presidente da CPI ressaltou que, na Operação Peça Chave, duas dessas oficinas são citadas como pertencentes à JMK e uma por indicação política.

Em nota, a JMK informou que:

Os 400 protocolos recebidos pela Secretaria do Estado da Administração e Previdência (SEAP) com reclamações de serviços prestados pelas oficinas, através da JMK, representam 0,18% do total de 220 mil Ordens de Serviços abertas em 4,5 anos de vigência do contrato. Uma porcentagem insignificante perto de um serviço tão complexo quanto a manutenção de uma frota de mais de 17 mil veículos.
Sobre os casos relatados nesta terça-feira (10) na CPI da Assembleia de pagamento duplicado por serviços de manutenção, a empresa esclarece que a delegacia pagou, através de fundo rotativo, por um serviço orçado pela JMK, sem comunicar à empresa. Assim que percebeu o duplo pagamento, a JMK devolveu o recurso recebido.

Nota acrescentada às 13h43 do dia 13/09/2019.



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