Representantes da Surdovel (Associação dos Surdos de Cascavel) protestaram ontem em frente à prefeitura pela criação do cargo de intérprete na rede pública. A reivindicação é antiga e a cada nova gestão municipal os surdos veem uma oportunidade de colocar o pedido em prática.

Para que o cargo seja criado é necessária a aprovação da Câmara de Cascavel. O anteprojeto está pronto, mas na gaveta. Segundo o secretário municipal de Finanças, Edson Zorek, o documento só não foi enviado ao Legislativo por conta de uma notificação do TCE (Tribunal de Contas do Estado) do Paraná em decorrência do limite prudencial.

Zorek explica que a abertura de quatro cargos de intérprete – demanda inicial identificada pela prefeitura – extrapola os 51% da receita gastos com salários. “Tudo depende da arrecadação [de impostos]. Precisamos ter as receitas equilibradas para garantir esses profissionais”, explica.

Enquanto isso não acontece, o problema atinge quem está lá na outra ponta: os surdos.

Edson Zorek acredita que até o fim deste ano o anteprojeto seja encaminhado à Câmara. Até lá serão tomadas medidas paliativas, com a terceirização de intérpretes temporários.

 

Acessibilidade zero

Cascavel não possui intérpretes de Libras em nenhum órgão público. Nas unidades básicas de saúde, mães surdas levam os filhos nas consultas para que eles traduzam o que o médico fala. “Os filhos perdem aula para levar a mãe consultar, pois os profissionais não conseguem atendê-las sem intérprete”, explica a assessora jurídica da Surdovel, Lorraine Alcântara. Nem mesmo dentro da prefeitura há profissional capacitado para isso.

Central de intérpretes

Com a abertura dos cargos, outra reivindicação da Surdovel deve ser atendida. É a criação de uma central de intérpretes que atenderá os surdos conforme a necessidade: “Ou seja, quando algum deles precisar ir a uma Unidade Básica, a central será acionada e encaminhará um profissional até lá para acompanhá-lo”, explica Lorraine Alcântara.