Curitiba – Em entrevista à GloboNews ao vivo na manhã dessa sexta-feira (18), governador Ratinho Junior falou sobre os desafios da segurança pública no Paraná, defendeu a integração das polícias e a parceria da iniciativa privada na gestão dos presídios. Ele ainda criticou a gestão do sistema, dizendo que conseguiu uma economia de quase R$ 100 milhões para o fornecimento de comida aos presos, “apenas com uma renegociação de contrato”. “O fornecedor é o mesmo, a qualidade da comida é a mesma, só fizemos uma renegociação. Então se vê que o dinheiro era mal gasto. Faltava gestão.”

A reportagem tentou descobrir o valor do total do contrato, mas não houve resposta às solicitações.

O governador disse que vai estruturar a segurança pública do Paraná com maior presença de policiais e integração das polícias: "Segurança pública se faz de duas maneiras: com presença física e tecnologia. Vamos aliar as duas".

Ele confirmou a implantação da Cidade da Polícia, proposta durante a campanha eleitoral, que integrará em um mesmo local a cúpula da segurança estadual, federal e municipal. O objetivo é aproximar todas as corporações, que manterão sua atuação, mas terão a facilidade de desenvolver estratégias conjuntas.

E acrescentou que técnicos do Exército na área de inteligência treinarão equipes de segurança do Paraná. Contudo, não deu previsão de datas.

Presídios

Ainda sobre os presídios, o governador classificou como “grande desafio” a situação do sistema prisional do Estado. Segundo ele, hoje há cerca de 10 mil presos alojados provisoriamente em delegacias do Paraná por falta de vagas em presídios. “Um problema comum em todo o País”, disse.

Além da necessidade de investimentos, explicou o governador, é preciso repensar todo o sistema prisional brasileiro, que descreveu como “ultrapassado e mal gerido”.

Ratinho Junior citou problemas de estrutura, da mistura de presos com diferentes graus de crime e do custo acima da média mundial. “Hoje o preso custa no Brasil U$ 1,2 mil por mês. No mundo inteiro o valor é de U$ 1 mil. Estamos gerindo mal o dinheiro e tratando de forma quase desumana esses presos que estão vivendo empoleirados nos presídios.”

Privatização?

O governador defendeu ainda a parceria com a iniciativa privada na área penitenciária. Ele deu como exemplo os Estados Unidos, onde cerca de 50% dos presídios são geridos por empresas privadas, sem tirar a tutela do Estado de comandar e ser responsável pelo preso.

Escola

Ratinho Junior anunciou para fevereiro o início do programa Escola Segura, que terá policiais da reserva na porta de escolas públicas para garantir a segurança de alunos, pais e professores.

A inspiração vem de um projeto semelhante adotado na década de 90 em Portugal, segundo ele, com ótimos resultados. “Essa medida também deve reduzir a evasão escolar, porque muitos jovens não vão à escola por causa da insegurança no entorno”, afirmou.

Nos Batalhões da Polícia Militar ainda não há informação de qual contingente será destacado para essa função.