Guaíra – Do lado de fora o aspecto ainda é de abandono, mas a casa que acomoda a CTL (Coordenadoria Territorial Local) da Funai (Fundação Nacional do Índio) em Guaíra voltou a ser ocupada. Chegou nesta semana uma indigenista vinda de Porto Alegre para auxiliar na coordenação dos trabalhos. Por enquanto, ela toma pé da situação sobre o andamento das ações, mas já sabe que vai enfrentar um grande desafio pela frente.

Há um mês o Jornal O Paraná fez reportagem alertando para a denúncia de comunidades indígenas da região ao MPF (Ministério Público federal) que se diziam desassistidas pelo órgão. Segundo representantes dos índios, a casa estava fechada desde o fim do ano passado travando uma série de atendimentos, como a emissão das Ranis (Registro Administrativo de Nascimento Indígena). Por causa disso, as crianças indígenas nascidas nos últimos meses ainda estão sem certidão de nascimento, o que gerou um efeito cascata: elas não puderam tomar vacinas e não têm acesso facilitado a encaminhamentos médicos para especialistas. Isso sem contar o caso das crianças que precisam da segunda via do documento e que estão sem estudar.

A reportagem esteve nesta semana na unidade da Funai em Guaíra e por lá a informação é de que o novo coordenador vem do Maranhão e chega no dia 10 deste mês. Ele vai substituir Ferdinando Nesso Neto, que pediu exoneração da função, segundo a Coordenadoria Regional Interior Sul da Funai, com sede em Chapecó (SC), após sofrer supostas ameaças na região.

Elas teriam relação direta com os conflitos vividos por demarcação de terra. Em Guaíra e Terra Roxa esse processo está sendo discutido na Justiça, com a demarcação a ser anunciada a qualquer momento, gerando um entrave direto com produtores rurais, tendo em vista que parte dessas áreas são agricultáveis e há registro de posse e propriedade.

Há ainda um inquérito que investiga a possível falsificação de certidões de nascimentos de indígenas, uma vez que alguns deles têm mais de uma certidão de nascimento brasileira, além de terem documentos indicando nascimento no Paraguai. Esse processo está sendo investigado pelo MPF e pela Polícia Federal.

Áreas de preservação

Outros problemas enfrentados na região dizem respeito às cinco áreas de preservação ambiental invadidas por indígenas na cidade de Santa Helena. Com receio das demarcações, o setor produtivo por lá também está em alerta, enquanto a Itaipu Binacional – responsável pelas áreas -, Ministério Público e poder público tentam realocar esses indígenas em aldeias formalmente constituídas.