BRASÍLIA – Cumprir um mandato tampão não é novidade para o deputado Rogério Rosso (PSD-DF), apontado como um dos favoritos para suceder Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na presidência da Câmara. Caso seja eleito, ele fica no cargo somente até janeiro do ano que vem, e não dois anos, como é o normal. Em 2010, após a Operação Caixa de Pandora desencadear uma crise política no Distrito Federal, Rosso ganhou uma eleição indireta na Câmara Legislativa e se tornou governador, posto que ocupou por pouco mais de oito meses. Oficialmente, ele nega a candidatura.

Em 2014, ele se elegeu deputado federal, com a segunda maior votação do DF: 93.653 votos. Mesmo no seu primeiro mandato, se tornou líder do PSD na Câmara. Em janeiro de 2015, pouco antes da eleição para presidente da casa, ele e o partido apoiaram Arlindo Chinaglia (PT-SP), candidato preferido da presidente afastada Dilma Rousseff. Chinaglia foi derrotado por Cunha, e Rosso começou um processo de aproximação com o novo presidente da Casa.

Em março de 2016, ele foi eleito presidente da comissão que analisou o pedido de impeachment contra Dilma. Em menos de um ano e meio, ele passou da condição de aliado da presidente para se tornar um dos 367 deputados que, em 17 de abril de 2016, votaram pela continuidade do processo de impeachment.

— Meus pais, desde cedo, ensinaram a mim, ao meu irmão e à minha irmã que ninguém nessa vida é melhor do que ninguém. Em homenagem ao ordenamento jurídico brasileiro, que permite a ampla defesa; em homenagem ao Estado Democrático de Direito, que nos permite estar aqui democraticamente; em homenagem à harmonia e à independência entre os poderes, pilar fundamental do nosso sistema; em homenagem ao povo do Distrito Federal, que recebe todos, sempre, de braços abertos; e a minha família, o meu voto é sim — disse Rosso na sessão de 17 de abril.

Em abril de 2010, Rosso estava no PMDB quando se tornou governador. Meses antes, em novembro de 2009, a Operação Caixa de Pandora expôs o escândalo que ficou conhecido como mensalão do DEM. O então governador José Roberto Arruda e o vice-governador Paulo Octávio caíram. O então presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente, também.

O deputado distrital (o equivalente a deputado estadual) Wilson Lima foi eleito para o comando da Casa e, com a queda de Arruda e Paulo Octávio, se tornou governador interino. Uma eleição indireta foi organizada pela Câmara Legislativa, em que Rosso derrotou Lima. O fim do curto governo dele foi marcado pelo abandono de Brasília, com a interrupção das podas e do corte de grama, fazendo com que a cidade fosse tomada pelo mato.

Em seu site pessoal, Rosso faz uma defesa do período em que governou Brasília, cidade para a qual se mudou quando tinha seis meses de idade. Segundo Rosso, ele conseguiu colocar a casa em ordem, concluiu mais de 300 obras e ações e entregou o governo com mais de R$ 1 bilhão em caixa.

“Quis o destino que o seu filho de coração fosse o eleito para liderar o Governo do Distrito Federal em meio ao caos. Como o primeiro governador eleito indiretamente, foi a ele confiado o destino da cidade que sangrava depois de dezenas de denúncias de corrupção. A ele também foi confiado o futuro desses milhares de brasilienses que, estarrecidos, lamentavam a nuvem negra que pairava sobre a terra prometida de Dom Bosco e JK”, diz trecho do texto.

Em 2014, Rosso apoiou o então senador Rodrigo Rollemberg (PSB) para o governo do DF e emplacou Renato Santana, do PSD, como candidato a vice. Rollemberg foi eleito, mas também foi alvo de críticas pela aliança. Quando ele assumiu o cargo, empregou aliados de Rosso no governo, entre eles Karina Rosso, mulher do deputado.

Rosso nasceu em 30 de agosto de 1968 no Rio de Janeiro, mas seus pais se mudaram para Brasília pouco tempo depois. Segundo informado no seu site pessoal, Rosso estudou em escolas públicas, fez estágio na Fundação Nacional do Índio (Funai), é formado em direito e especialista em marketing e direito tributário, e já trabalhou como executivo na Mercedez Benz, Catterpilar e Fiat. Ele tem quatro filhos com a esposa.

Em 2003, começou sua trajetória política, quando se tornou secretário de Desenvolvimento Econômico do DF, durante a gestão do ex-governador Joaquim Roriz. Em 2004, se tornou administrador de Ceilândia, a região administrativa mais populosa do DF. No seu site, ele destaca como algumas de suas realizações no cargo a construção do Shopping Popular de Ceilândia, da ala materno infantil do hospital local, de uma creche e de um ginásio coberto, além da realização do desfile de escolas de samba de Brasília no Ceilambódromo. Em 2007, já no governo Arruda, passou a dirigir a Companhia de Planejamento do DF (Codeplan).