Faturamento cai 30% e varejo aposta em Cadastro Positivo

Reportagem: Juliet Manfrin

Cascavel – “A roda não está girando”, alerta o presidente do Sindilojas (Sindicato dos Lojistas e do Comercio Varejista de Cascavel e Região Oeste do Paraná), Leopoldo Furlan, referindo-se ao setor. Segundo ele, o faturamento médio da maior parte dos segmentos voltados ao comércio varejista da região teve queda de pelo menos 30% no primeiro semestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2018.

“Há setores em que essa redução é ainda maior. E olha que o oeste é uma das regiões do Estado que menos têm sofrido com os reflexos da falta de crescimento econômico e isso se dá graças ao bom desempenho do campo e das exportações do complexo carnes”, completa Furlan.

Mesmo assim, nem o frio com temperaturas negativas no fim de semana foi suficiente para estimular as vendas no varejo. “O lojista sempre espera um crescimento de 5% a 6% sobre o inverno anterior e, desta vez, não chega a 3% e sem grandes perspectivas de mudança. Isso só inverteria se o frio viesse com muitos dias chuvosos, aí as roupas não secam, as pessoas saem em busca delas nas lojas, caso contrário, é uma paradeira como a que estamos vendo”.

Liquidações

E, para não deixar os estoques abarrotados e o capital parado, as promoções de inverno que já eram vistas muito antes de o frio chegar, agora se intensificam: sete em cada dez comerciantes já apostam nelas para as tradicionais queimas de estoque.

Isso porque a vida no comércio neste ano não tem sido nada fácil mesmo. Segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), em maio deste ano quatro das sete maiores cidades da região oeste demitiram mais do que contrataram no setor. Assis Chateaubriand eliminou 5 postos de trabalho nesta área, Cascavel 42, Guaíra 5 e Marechal Cândido Rondon, 6. “E a tendência é que isso não vai mudar, deverá permanecer assim porque não está vendendo. As pessoas estão segurando dinheiro ou estão endividadas. A expectativa está sob a reforma da Previdência… vamos ver se depois da votação alguma coisa muda na economia”, completou Furlan.

Cadastro Positivo

Entre os pontos que podem dar um incentivo às vendas, com a promessa de oferta de créditos a juros mais baixos, sobretudo aos bons pagadores, é com o Cadastro Positivo, que começou a valer ontem (9) em todo o País.

Ocorre que, segundo Leopoldo, os reflexos para os pequenos negócios, que constituem mais de 95% das empresas na região, só poderão ser medidos com precisão daqui a um ano. “As grandes redes têm o seu próprio cadastro como medidor, então para elas o acesso às informações pode ser mais facilmente digerido. Aos menores, os reflexos disso devem ser sentidos em mais tempo até porque existe um período de comportamento do comprador que precisa ser analisado, mas será um ponto de apoio nas duas pontas, para quem vende e quem compra. O vendedor vai saber quem é um bom pagador e o perfil dele, podendo, assim, oferecer vantagens que podem interferir positivamente nas vendas, mas nada disso é para já, para agora”.

Questionado se o Cadastro Positivo pode reestimular o crediário próprio, o presidente do Sindilojas diz acreditar que não: “O crediário e o cheque caminham para a extinção. O lojista prefere embutir em torno de 2% nos valores dos produtos para operar com o cartão de crédito, que é muito mais seguro e não exige uma equipe de apoio para as cobranças”.

Por outro lado, ele poderá servir como um chamariz aos que apostam no crediário para cativar os clientes: “Há um perfil de lojista que opta pelo crediário próprio porque leva o cliente à loja todo mês para pagar e acaba comprando mais. Então, ele corre um pouco de risco, mas aumenta suas vendas assim”, explica.

Datas comemorativas

E como o comércio vive de datas comemorativas, a próxima delas já está em articulação porque sua celebração ocorre em exatamente um mês. Em 10 de agosto será o Dia dos Pais, mas tudo indica que, neste ano, os presentes serão mais modestos, as chamadas lembrancinhas. “O crescimento está projetado em 3% ou 4% e talvez o que tenha de inverno na promoção possa ser vendido nessa data, mas não é uma das melhores para o comércio. Fica atrás do Natal, do Dia das Mães, da Black Friday… acredito que o Dia dos Pais empate com a Páscoa. Apesar disso, qualquer crescimento é importante diante do cenário que se vive”, avaliou o presidente do Sindilojas, Leopoldo Furlan.

E como em pouco mais de cinco meses o ano chega ao fim e o comércio varejista precisa se preparar para o período. A regra de ouro na hora de montar estoques tem sido pé no chão e muito planejamento. “As coisas estão difíceis, mas quem tiver controle, planejamento, vai conseguir passar por isso. Uma hora esse cenário vai se inverter, então não é hora nem de o comprador nem de o vendedor fazerem loucuras”, completou Furlan, que ainda está sem grandes perspectivas de contratações para o fim de ano.

Além do Natal, o principal entusiasmo neste semestre se volta então à Black Friday, mas ela só ocorre na última sexta-feira de novembro, no dia 29.

Reportagem: Juliet Manfrin



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