Curitiba – A partir de informações privilegiadas que o repórter Guilherme Voitch (Veja Paraná) obteve com suas fontes, toma-se conhecimento de que, supostamente, há “rolos” também em outro programa tocado pelo Governo Beto Richa – o “Patrulhas do Campo”, lançado no segundo ano de seu primeiro mandato. Este seria um dos anexos da colaboração premiada que o ex-diretor do DER (Departamento de Estradas de Rodagem) do Paraná Nelson Leal Júnior está negociando com o Ministério Público Federal a partir da cela que ocupa há mais de duas semanas na Polícia Federal em Curitiba.

O “Patrulhas do Campo” consistia em ceder a cada um dos 30 consórcios municipais do interior um conjunto de máquinas pesadas (escavadeira, trator de esteira, pá-carregadeira, motoniveladora, rolo-compactador, caminhão-comboio, caminhonete, carreta para o transporte dos equipamentos e cinco caminhões basculantes). Aos consórcios caberia fazer a abertura, a conservação e a manutenção de estradas rurais de suas respectivas regiões.

O governo do Estado levou três empresas paranaenses a comprar e operar as máquinas que seriam colocadas à disposição dos consórcios regionais. Saíram vencedores para o fornecimento dos equipamentos as empresas Cotrans, a Terra Brasil (Grupo Casagrande) e a locadora Ouro Verde.

Desconhecem-se os detalhes das negociações que envolveram a contratação dessas três empresas. Coisa que agora o ex-diretor do DER teria condições de explicar ao Ministério Público. As declarações implicariam o Governo Beto Richa, grandes empreiteiras paranaenses e até o TCE-PR (Tribunal de Contas do Estado), adianta o jornalista da Veja.

Pedágios

Leal Júnior foi preso em fevereiro na Operação Integração, um desdobramento da Operação Lava Jato que apurava inicialmente as relações indevidas entre as concessionárias de pedágio e o DER. As investigações apontam que propinas e vantagens foram pagas a Leal Júnior e outros funcionários do órgão em troca de favorecimento nos aditivos dos contratos de pedágio da Econorte. De acordo com o MPF, o pedágio cobrado nas rodovias da Econorte era mais caro do que o estabelecido em contrato por causa da corrupção.