Estrangeiros homens são a maioria dos presos por tráfico em Guarulhos

SÃO PAULO ? Em pesquisa inédita sobre o perfil do traficante de drogas que tenta embarcar pelo Aeroporto Internacional de São Paulo, o maior do país, divulgada nesta segunda-feira, a Justiça Federal de Guarulhos apontou que esse tipo de crime é praticado predominantemente por homens, em 63% dos casos. A maioria dos réus é estrangeira (73,8%).

Unimed

O documento ?Tráfico Internacional de Entorpecentes ? o fluxo no maior aeroporto internacional do Brasil?, mostra ainda que a cocaína predomina entre os vários tipos de entorpecentes (97%), sendo que o ecstasy, a heroína e outras drogas (LSD/ácido lisérgico, maconha e skank) representam, somadas, apenas 3% das apreensões.

Os nigerianos, segundo pesquisa, predominam o grupo de estrangeiros que tentam sair com drogas do Brasil, com 8,76% dos casos, seguidos pelo sul-africanos (7,65%) e bolivianos (4,73%). Todos com idade média de 34 anos.

Foram analisados cerca de mil processos entre 1999 e 2013, envolvendo 1.164 réus, quase todos (1.124) presos em flagrante por tráfico internacional de drogas.

O documento chama atenção pelo volume de cocaína apreendida em Guarulhos nos casos processados pelas Varas Federais: 3,9 mil kg. A quantidade média de cocaína por crime foi de 3,63kg.

Para o juiz da 2ª Vara Federal de Guarulhos, Paulo Marcos Rodrigues de Almeida, essa foi uma das maiores revelações da pesquisa:

? Se tem tido tanta prisão, significa que nossa porta de saída está relativamente bem vigiada, mas a gente não produz cocaína. Então, a pesquisa revela que é preciso intensificar a repressão do tráfico nas fronteiras, na porta de entrada ? diz o juiz, apontando Bolívia, Peru e Colômbia como os principais países fornecedores desta droga.

PROGRAMA DE RESSOCIALIZAÇÃO

Também nesta segunda foi lançado oficialmente o Programa de Ressocialização de Réus Estrangeiros (Prorrest), a fim de auxiliar as pessoas de outros países que respondem por tráfico em liberdade. Em parceria com a Receita Federal, ele possibilita que esses acusados obtenham um CPF para trabalhar legalmente no país.

Além disso, até o fim do ano, um albergue, construído em parceria com o Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Guarulhos (CDDH), será inaugurado para que esse estrangeiro tenha um lugar para ficar até obter a documentação.

? Quando eles não falam português e não têm para onde ir, nem possuem documento, acabam ficando pelas ruas ou mesmo procuram traficantes e voltam para a prisão. Então desenhamos o projeto desses albergues transitórios, com 25 vagas, para eles ficarem até conseguirem um CPF. É uma questão de segurança pública ? explica Almeida.

JK

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