Cascavel – Desde 2005 quando casos de febre aftosa foram encontrados no Paraná, o Estado vem travando uma luta incessante para a melhoria em sanidade em meio a perdas bilionárias com o fechamento de mercados internacionais com as dúvidas que esses registros geraram aos consumidores de fora.

Na prática, o diagnóstico da doença fechou portas às exportações, como com a Coreia do Sul, que importa 1,3 milhão de toneladas de carne suína todos os anos, mas nenhum quilo sai do Paraná por questões sanitárias.

Isso porque os reflexos dos casos de aftosa encontrados em bovinos em algumas regiões do Brasil há 13 anos vão muito além das exportações da carne de boi e seus derivados, mas respingaram em toda a cadeia pecuária, como os suínos e até as aves.

Desde os diagnósticos, importantes mercados como o comércio asiático e europeu fecharam suas portas a produtos paranaenses e brasileiros diante do que julgavam ser de incertezas sanitárias.

Há alguns anos o Paraná conseguiu o status de área livre da doença com vacinação e neste momento os esforços estão todos centralizados na obtenção do certificado de área livre da doença sem a imunização.

Apesar de o caminho ser árduo e longo, o Estado já deu importantes passos que terão um novo desdobramento nesta semana.

O Paraná está no chamado bloco 5 com os estados do Mato Grosso do Sul e do Rio Grande do Sul para a obtenção dessa certificação, mas na prática o trabalho de defesa e de qualidade sanitária é para que alguns aspectos do processo possam ser alterados ou antecipados.

Na prática, o Paraná está no último bloco brasileiro a ser certificado com o selo livre da imunização, o que pelo cronograma só ocorreria em 2021 para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e em 2023 no mercado internacional.

Nesta semana, o Estado vai formalizar para o Mapa que tem condições técnicas de ser colocado no bloco 1, o primeiro a receber a certificação livre da vacinação com Acre e Rondônia. Esses estados deverão receber o selo em 2019 e, se o Paraná for encaixado nele, a última vacinação do rebanho de cerca de 9 milhões de bovinos e bubalinos ocorrerá em maio de 2019.

Auditoria

Para analisar os aspectos técnicos e práticos do pedido que será feito por autoridades em sanidade animal nesta semana, o Estado vai passar por uma nova auditoria dos fiscais do Mapa de 26 de agosto a 6 de setembro.

Será a segunda neste ano. A primeira delas foi em janeiro e o resultado foi extremamente positivo parta o Paraná. “Em janeiro fomos auditados quanto à qualidade geral e tivemos uma excelente notícia e nos encorajamos em dizer que estamos preparados para um passo decisivo e pedirmos a antecipação da declaração de área livre da doença. Estamos bem estruturados sobre os plantéis e os rebanhos e essa nova auditoria será específica para vermos como está o programa de erradicação da febre aftosa por aqui”, disse o diretor-presidente da Adapar (Agência de Defesa Agropecuária do Paraná), Inácio Kroetz, em entrevista exclusiva para o Jornal O Paraná.

Reconhecimento internacional pode chegar em 2021

Se a avaliação do Mapa for positiva em setembro, o reconhecimento internacional do Estado só chegaria em 2021. “Por um ano [2019] seremos intensamente acompanhados e fiscalizados pelo Mapa e depois por mais um ano ficaremos sob a lupa da OEA [Organização dos Estados Americanos – em 2020]. Nesta semana vamos declarar essa capacidade e o nosso compromisso de cumprir o cronograma”, disse o diretor-presidente da Adapar, Inácio Kroetz. “Isso não é só um título, é um certificado de que o Paraná tem tudo que precisa para ter excelente serviço e que tem estrutura sanitária”, completou.

Outro passo bastante audacioso que o Estado pretende dar diz respeito à certificação de área livre da doença sem vacinação sem a dependência da certificação brasileira. “Se tivermos certificado só pelo Estado, se um foco for encontrado em qualquer região do País não seremos penalizados ou banidos do mercado internacional, porque, quando há certificação nacional, um caso trava todo o País, e, se tivermos somente pelo estado, não corremos esse risco e dependemos apenas das nossas condições sanitárias”, destacou.

O presidente do POD (Programa Oeste em Desenvolvimento), Danilo Vendrusculo, lembra que a entidade trabalha incessantemente para auxiliar nesses processos de sanidade. O foco são os benefícios à cadeia produtiva, principal mola propulsora da economia regional.

Não por acaso o tema é o primeiro na escala de seis demandas trabalhadas pelo programa e entre as ações está a implantação imediata dos Conselhos de Sanidade em todos os 54 municípios atendidos pelo POD.

Estima-se que o impacto da declaração de livre de aftosa sem vacinação ao oeste, considerando apenas os derivados da carne suína, seria de aumento de comercialização em 15%.

Um levantamento de todos os setores da pecuária está sendo desenvolvido para ser entregue à governadora Cida Borghetti que solicitou esse estudo. “O mundo não compra carne, compra qualidade, precisamos e dependemos dela para toda a nossa cadeia produtiva. Estamos muito confiantes nesse processo”, completou Vendrusculo.