Foz do Iguaçu – Depois de um 2017 extremamente ruim para o setor da construção civil, um dos segmentos que mais representam a retomada da economia com o retorno das obras parece reencontrar o equilíbrio. Ele não é o setor que mais tem empregado na região neste ano, mas vive neste momento uma realidade bastante diferente da enfrentada no ano passado com crescentes ocupações formais.

Segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), dos seis municípios do oeste analisados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, em cinco houve fechamento de vagas de janeiro a agosto de 2017. E assim, lá se foram perdidos, naquele período, 304 empregos com carteira assinada. Em Assis Chateaubriand, o setor havia desempregado 73 trabalhadores, em Cascavel foram desligados 154, em Foz do Iguaçu haviam sido 20 baixas e em Toledo 142. Apenas Medianeira havia contratado mais do que demitido. Por lá foram criadas no período 82 ocupações.

Um ano depois os dados revelam uma recuperação. O último levantamento do Caged aponta que, no acumulado do ano, o setor deixou de ser o vilão das demissões. Dos mesmos municípios considerados no levantamento, apenas um teve mais demissões do que contratações neste ano: Assis Chateaubriand, com a perda de 18 postos. Todos os demais tiveram saldos positivos, somando 744 novas contratações na construção civil. Foz do Iguaçu foi o grande destaque regional, com 383 novas efetivações, seguido por Cascavel com 239 e Marechal Rondon, com 71. Em Medianeira e Toledo foram 34 e 35 novas efetivações, respectivamente.

“Apesar da recuperação econômica mais lenta do que a projetada por especialistas para 2018, o setor começa a dar sinais de melhora. Os números não deixam dúvidas. Se o governo não consegue adotar políticas públicas para estancar a crise, tanto econômica quanto política, muitos empresários têm agido por conta própria e refeito a roda da economia girar”, analisa o economista Marcelo Dias.

Confira a tabela de empregos da contrução civil

 

Movimento 20% maior em materiais de construção

Para o microempresário do setor de construção civil, Daniel Lima, o movimento tem aumentado aos poucos. Apesar das incertezas e das instabilidades peculiares a um período eleitoral, o movimento tem sido maior e ele já reflete nos números. “Na minha loja tenho observado cerca de 20% de aumento nas vendas se comparar com o mesmo período do ano passado. Além de algumas obras maiores, são as pequenas reformas em casa que começam a ser feitas para o fim de ano que têm animado. Neste momento as pessoas estão comprando para pagar com o 13º salário”, reforçou.

A primeira parcela do 13º salário entra na conta da maioria dos trabalhadores no dia 30 de novembro.

Para o vice-presidente do Sindilojas (Sindicato dos Lojistas e do Comercio Varejista de Cascavel e região Oeste do Paraná) e empresário do setor de luminárias e acabamentos, Leopoldo Furlan, a tendência é para que essa melhora se consolida após o pleito que definirá os novos governantes, com primeiro turno hoje (7) e segundo turno, se houver, no dia 28 deste mês. “O movimento ainda está menor, mas temos boas expectativas para esta reta final de ano. Acreditamos que este será um fim de ano para o comércio como um todo melhor do que foi o de 2017. Torcemos por isso”, reforçou.

Para Leopoldo, é essencial para a economia se movimentar que o consumo seja retomado, mas ele precisa vir de forma consciente. “O 13º salário está chegando, muitas pessoas estão endividadas, então parte desse recurso será para pagar contas. O que for destinado para as aquisições, que elas sejam feitas de forma consciente para que não pesem nem para quem compra nem para quem vende”, destacou, ao lembrar que, em caso de compras a prazo, é essencial observar se a parcela cabe no bolso. “Se o consumidor fica inadimplente, ele deixa a situação do lojista complicada também, sobretudo num crediário próprio da loja”, seguiu.

O economista Marcelo Dias reforça que nesta e na próxima semana, quando o comércio começa a incorporar de vez as vendas para o fim de ano com recebimento e exposição dos estoques natalinos, é que poderá ser analisada a recepção do consumidor à data e às compras. “O 13º salário foi mesmo feito para aquecer a economia. É importante gastar no comércio, ele foi feito para presentear as pessoas no Natal, para viajar com a família, fazer as tão sonhadas reformas na casa que costumam ser feitas neste período, mas guardar uma parcela é sempre muito importante pelo que tem pela frente. As contas de início de ano”, reforça o economista. “O que quero reforçar com isso é que precisamos de planejamento sempre. Se ele não existir o consumo fica comprometido pela inadimplência e as dívidas que podem se tornar uma bola de neve”, concluiu.