A cada novo início de mandato (e antes, ainda, durante a campanha eleitoral) o debate sobre as privatizações esquenta. Isso acontece desde o fim da ditadura militar, quando se percebeu o tamanho que o Estado havia assumido (eram mais de 500 estatais e subsidiárias), e ocorrem então as primeiras privatizações. Claro que nunca sem uma boa polêmica.

Com a política de substituição de importações, ainda na década de 30, Getulio Vargas dá início à criação das primeiras grandes estatais que tinham o papel de alavancar nossa indústria insipiente. Projeto ampliado em seu segundo governo, quando, inclusive, nasce a Petrobras.

Surge também o BNDES, que tem seu papel desvirtuado e, numa espécie de “hospital” de empresas falidas, expande a estatização da economia.

Mas foi durante o governo militar que a situação chega ao extremo. Estima-se que havia mais de 500 estatais e subsidiárias País afora. Ao perceber o tamanho do Estado, o Governo Sarney faz as primeiras privatizações, continuadas no Governo Collor e nos próximos (FHC, Lula e Dilma).

Boa parte daquelas que não foram estatizadas (ou assumidas pelo BNDES) quebraram, a exemplo de boa parte dos bancos estaduais, alguns deles assumidos pela iniciativa privada mas cuja dívida foi “herdada” pelo poder público.

Mesmo os governos petistas, que cresceram politicamente criticando as privatizações, “protegeram” as galinhas dos ovos de ouro, a exemplo da Petrobras (ninho de um dos maiores escândalos de corrupção) e outras usadas para o loteamento de cargos políticos, mas criaram novas concessões, a exemplo das rodovias federais, hoje quase todas pedagiadas.

Todos sabem que a máquina pública é pesada demais, que há inúmeras estatais que só dão prejuízo e que o governo é uma grande “mãe” para indicados políticos. Ou seja, passou da hora de abrir a caixa das estatais e se livrar daquelas que não servem mais à nação.