Nem bem tinha conseguido sair da crise, e o Brasil caminha para o caos total. A greve dos caminhoneiros trouxe impactos quase que imediatos e de valores já imensuráveis. As agroindústrias suspenderam os abates enquanto aves, suínos e até peixes “passam do ponto” nas granjas e reservatórios, aumentando o custo e pior, corre o risco de haver mortandade em massa. Postos de combustíveis estão com as bombas vazias. Serviços de transporte coletivo urbano reduziram as linhas. Até hospitais estão suspendendo cirurgias alegando falta de materiais.

No meio disso tudo, ninguém consegue separar o efeitos da greve e os oportunistas. Ontem, um posto de Santa Catarina já vendia a gasolina por R$ 6,99 o litro, mais que o triplo do valor na refinaria. Nos grandes centros já havia queixa de falta de produtos nas gôndolas dos supermercados.

De antemão, ninguém pode culpar os caminhoneiros. Há tempos eles têm ameaçado parar e ninguém lhes deu ouvidos. Foi preciso que 40% das transportadoras fechassem as portas e muitos autônomos deixassem a atividade para que em pouco tempo os que restaram não tiveram saída.

Até pouco tempo, o óleo diesel era o combustível mais barato nos postos. Hoje, custa mais que a gasolina aditivada. Quando não encontra rodovias esburacadas, são os pedágios que põem em risco seu rendimento.

Hoje ao menos 40% de toda a produção nacional trafega pelas estradas brasileiras. E nem assim foram ouvidos. Precisaram do caos.

E os custos virão. 2018 tinha tudo para ser um ano de início de recuperação. Mas está cada vez mais difícil de inverter o quadro da crise. Ninguém esperava impactos tão drásticos em três dias de paralisação. Então, o que será de todos se a greve se estender?