Dia 26/05 celebramos o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma, doença que atinge mais cerca de 60 milhões de pessoas mundialmente, dos quais cerca de 8,4 milhões tem como destino a cegueira irreversível.

Pressão alta, doenças cardiocirculatórias, histórico familiar, idade avançada e etnia negra estão entre os fatores de risco da doença, que pode ser controlada com o tratamento adequado. Porém, cerca de 50% das pessoas com glaucoma no mundo desenvolvido não sabem que têm a doença e muitos pacientes que o sabem não têm acesso ao tratamento ou não seguem de de forma adequada, permitindo que ela progrida. A estimativa é que até 2020 o glaucoma atingirá 80 milhões de pessoas em todo mundo, sendo que destas, 11 milhões estarão em estágio de cegueira bilateral.10

Para sugestão de entrevista sobre o tema, indicamos a oftalmologista presidente da Sociedade Brasileira de Glaucoma, dra. Wilma Lelis Barbosa.

Dia nacional de combate ao glaucoma: um alerta contra a cegueira

De acordo com a Oganização Mundial da Saúde (OMS) e a World Glaucoma Association, cerca de 60 milhões de pessoas em todo o mundo são atualmente afetadas pelo Glaucoma

Considerada a principal causa de cegueira irreversível no Brasil e no mundo, o glaucoma costuma se desenvolver de forma silenciosa, sem sintomas, até que após algum tempo depois de instalado, o paciente começa a experimentar perda lenta e progressiva do campo visual, podendo evoluir para cegueira irreversível se não tratado adequadamente. Do número estimado de 60 milhões de pessoas com a doença mundialmente, cerca de 8,4 milhões tem como destino a cegueira.1 Tal gravidade justificou a criação de uma data para o combate à doença onde a Sociedade Brasileira de Glaucoma e oftalmologistas especialistas em glaucoma em todo o Brasil desenvolvem atividades para a educação da população.

“A doença é responsável por 12,3% dos casos de perda de visão em adultos e a prevalência aumenta com a idade, evoluindo entre 1 e 2% na população geral até 7% após os 70 anos. Por se tratar de uma doença crônica e que não tem cura é muito importante a conscientização em relação aos sintomas e fatores de risco da doença, a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento periódico e do tratamento”, relata Dra. Wilma Lelis Barbosa, presidente da Sociedade Brasileira de Glaucoma.

Diversos estudos mostram uma associação entre o glaucoma e queda na qualidade de vida.2,3 Isso ocorre pois em virtude da perda visual em que os pacientes com glaucoma apresentam menor mobilidade física, aumento no risco de acidentes automobilísticos, aumento na incidência de quedas da própria altura, diminuição na habilidade de leitura ou outras atividades do dia a dia.4,5

Dentre os principais fatores de risco para o desenvolvimento do glaucoma estão: história familiar de glaucoma, pressão intraocular (PIO) elevada, idade avançada, doenças cardiocirculatórias, pertencer a raça negra.

A importância da adesão ao tratamento:

Geralmente o tratamento inicial é clínico, com apoio de colírios hipotensores, podendo-se recorrer ao laser ou cirurgias, conforme recomendação médica, e de acordo com o tipo de glaucoma e estágio da doença.

O tratamento clínico com colírios hipotensores tem como principal objetivo estabilizar a doença através da redução da pressão intraocular. O nível de redução da PIO deve ser individualizado, considerando fatores como a gravidade do glaucoma, idade do paciente, história familiar, etnia e espessura da córnea. A pressão-alvo corresponde a um nível “seguro” de PIO, evitando o estabelecimento ou progressão das alterações glaucomatosas.

A aderência ao tratamento do glaucoma é baixa, com cerca de 50% dos pacientes não utilizando a medicação da maneira prescrita.7 Dessa forma, uma parcela significativa dos pacientes apresenta risco de progressão da doença. Fatores como a falta de conhecimento sobre a doença, que propicia a não participação do paciente no tratamento e a falta de habilidade para instilação do colírio e/ou para manipular o frasco, associada a ausência de alguém que ajude administrar o medicamento prejudicam a aderência ao tratamento e o consequente controle da progressão da doença.8,9

“Apesar de ser uma conduta simples, o uso do colírio é bastante negligenciado, não apenas em relação à necessidade do uso regular da medicação, mas também em relação a quantidade de doses diárias e a maneira correta de instilar o medicamento. E o problema tende a aumentar em pacientes idosos, os quais apresentam mais dificuldades de memorização sobre os horários dos medicamentos que tomam, e por possuírem mais dificuldades motoras, sendo muitas vezes necessário que o cuidador o ajude a pingar o colírio”, relata Dra. Wilma.

Estudos demográficos e econômicos também revelaram o impacto dos custos não médicos e indiretos do glaucoma progressivo. Cerca de 50% das pessoas com glaucoma no mundo desenvolvido não sabem que têm a doença e muitos pacientes não são tratados porque não têm acesso ao tratamento ou não o seguem de forma adequada, permitindo que a doença progrida. A estimativa é que até 2020 o glaucoma atingirá 80 milhões de pessoas em todo mundo, sendo que destas, 11 milhões estarão em estágio de cegueira bilateral.10

A visita periódica ao oftalmologista é essencial para diagnosticar precocemente a doença. Uma vez detectado o glaucoma, o acompanhamento e o uso correto das medicações são fundamentais para que a doença não progrida, preservando assim a visão.