BRASÍLIA – Os dois senadores do PT na Comissão do Impeachment, Lindbergh Farias (RJ) e Gleisi Hoffmann (PR), e a senadora peemedebista Kátia Abreu (PMDB-TO), apresentarão nesta terça-feira, durante a leitura do relatório pelo afastamento definitivo da presidente Dilma Rousseff, voto em separado. O texto elaborado pelo relator da comissão, o tucano Antonio Anastasia, será conhecido só amanhã, mas defenderá o impeachment.

O voto em separado fala em ?crônica do golpe anunciado? , dizendo que na noite de sua reeleição, em outubro de 2014, começou a nascer a ideia do impedimento da petista.

? Ali, na calada da noite, em meio aos odores desagradáveis emanados do fisiologismo político e da hipocrisia moral, começava a ser urdido o golpe que ameaça submergir o Brasil numa longa noite de autoritarismo, conservadorismo, retrocesso social e desconstrução de direitos. Enquanto os justos dormiam o sono do dever cívico cumprido, os derrotados, com ânimo inconformado e insone, iniciavam sua trama cínica e antidemocrática, apoiados em mentiras, distorções e, sobretudo, num secular desprezo pelo voto popular ? diz a introdução do documento.

Em 54 páginas, o voto dos dilmistas trata do afastamento como uma farsa ?machista e misógina?, e que tecnicamente nada se comprovou contra a presidente afastada.

O voto em separado será lido metade por Kátia Abreu e outra metade por Gleisi Hoffmann.

? Fiz uma sugestão de o voto ser lido apenas pelas mulheres, até porque esse golpE tem muito de machista ? disse Lindbergh.

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) também apresentará um voto em separado durante a Comissão do Impeachment.

A reunião está marcada para o meio-dia. Anastasia passou o dia trancado em seu gabinete para concluir o relatório. A leitura deverá durar ao menos três horas.