Uma família do Distrito Federal vive o descontrole da pandemia de Covid-19 no Brasil de forma dolorosa. Depois de perderem o patriarca para a doença, os Nunes, moradores do Sol Nascente, receberam a notícia do óbito da mãe quando ainda estavam concluindo o enterro do pai.

Casados havia 47 anos, Antônio e Francisca deixam quatro filhos e sete netos. Todos moram no mesmo condomínio, no Sol Nascente. “Nossa família está muito abalada. Não é normal enterrar o pai num dia e a mãe no outro”, lamenta a auxiliar de limpeza Lucineide Nunes, 46, filha do casal.

Antônio e Francisca eram maranhenses. Eles tiveram contato com o coronavírus numa viagem à terra natal com o objetivo de buscar uma irmã de Antônio – Maria Azevedo Silva, 81 – a fim de trazê-la para Brasília.

Como estava há mais tempo com a doença, Maria foi a primeira a procurar ajuda médica, no início de março. Ela faleceu uma semana depois. Os dois estavam internados no Hospital Regional da Asa Norte (Hran).

Amor

A família conseguiu juntar o leito deles dentro do hospital, mas isso durou pouco, porque logo Antônio precisou ser transferido para uma unidade de terapia intensiva. “Na UTI, a fisioterapeuta conseguiu fazer uma videochamada entre meu pai e minha mãe, e todos se emocionaram muito em ver o amor dos dois”, lembra Lucineide.

“A médica falou que fez de tudo para salvar os dois, porque viu esse amor e cuidado entre eles e a família. Os filhos, o genro, a nora, os netos, todos se prontificaram a cuidar até o último momento”, relata.