A procura por atendimento nas UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento) de janeiro a agosto deste ano aumentou em quase 18% em relação ao mesmo período de 2017. Em nove meses, o número passou de 68.620 para 80.878 consultas realizadas.

E o reflexo desse aumento é a sobrecarga do sistema, que pôde ser visto ontem nas Unidades Brasília e Veneza.

Apesar de a segunda-feira ser o dia de maior procura por atendimento, a espera ontem passou de oito horas.

Paulo Pimentel tem 33 anos e chegou à UPA Brasília às 8h. Sem comer, às 16h ele ainda aguardava ser atendido: “Estou com muita dor na coluna. Fui trabalhar e não conseguia ficar em pé. Meu patrão me trouxe aqui e estou esperando. Ninguém dá previsão nem nada. Estou sem comer e não consigo sentar nem ficar em pé”.

Há seis horas na fila, Andréia Andrade foi com o filho até a farmácia comprar um remédio para tentar amenizar a dor do rapaz de 19 anos. “Ele não estava aguentando de dor, então comprei alguns remédios para ele suportar a dor enquanto não conseguimos atendimento”. Ela disse que diversos pacientes foram embora sem serem atendidos.

É o caso do mecânico Joel Thieme, que esmagou as mãos em um acidente de trabalho. Ele procurou a UPA Brasília, após horas de espera foi até a UPA Veneza, onde já aguardava mais de duas horas sem previsão de ser atendido.

A zeladora Eunice da Silva não segurava as lágrimas de tanta dor por conta de queimaduras nas mãos que viraram infecção. Ela já estava havia sete horas na fila.

 

Segundas caóticas

A Secretaria de Saúde informou que nas segundas-feiras a ida de pacientes às UPAs é maior e que por isso reforça a equipe nesses locais. Nas UPA Veneza e Brasília trabalham cinco médicos, cada uma, para atendimento de consultórios, enfermarias e ambulâncias.

Quanto à espera, a secretaria disse que as unidades seguem os protocolos orientados pelo Ministério da Saúde para priorizar pacientes mais graves (Protocolo de Manchester).

Os pacientes que aguardam horas são os classificados como verdes, ou seja, sem prioridade para atendimento de urgência ou caracterização de risco à vida ou agravo da doença.

Aumentos significativos

Para o secretário de Saúde, Rubens Griep, o aumento da procura por consulta nas UPAs se dá pela migração do atendimento privado ao público e pelo próprio aumento da oferta dos serviços. “Muitas pessoas deixam de pagar o plano de saúde e migram para o SUS, mas também há o aumento da oferta de atendimento, como o pediátrico, que antes era ofertado só na UPA Tancredo e agora tem também no Veneza. Não diminuiu a busca por consulta na Tancredo. Mantivemos os 170 atendimentos por dia na Tancredo e tivemos aumento de 150 atendimentos por dia na UPA Veneza”, detalha Rubens.

Em um ano, também houve aumento dos procedimentos feitos nas UPAs de 39,83% – de 103.753 em 2017 passou para 145.077 em 2018.

Allana Santos tem 35 anos e cancelou o plano de saúde do filho de três anos. Agora, ela depende do SUS. Ela conta que a demora no atendimento é a parte mais complicada, só que, quando ficou desempregada, não conseguiu mais pagar o plano de saúde e em dois meses já procurou o atendimento na UPA três vezes.