COTIDIANO

ConstRua Cidadão busca dignidade e trabalho para mudar a ‘situação de rua’

11 de maio de 2022 às 08:08
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Cascavel – Quem não se compadece quando passa por uma pessoa que tem a rua como ‘casa’ ou ainda pedindo comida por estar em situação de extrema fragilidade? Algumas delas ficam nos cruzamentos esperando ‘sinal vermelho’ para levantar placas com a mensagem “estou com fome”.

Mas, além da solidariedade que é própria do brasileiro, existem alguns caminhos para as pessoas deixem essa situação e, com ajuda e orientação, conquistem uma vida melhor, com dignidade. Um deles é por meio do programa ConstruRua Cidadão, implementado pela Prefeitura de Cascavel no dia 1º de Maio de 2017 e que, desde então, atendeu mais de 100 pessoas.

De acordo com o secretário municipal de Assistência Social, Hudson Moreschi Júnior, o programa foi lançado exatamente no Dia do Trabalhador e se tornou lei em junho daquele mesmo ano. O programa prevê a destinação de uma bolsa no valor de R$ 300 para cada participante que, atualmente, conta com um grupo de 12 pessoas “trabalhando”. O objetivo do programa é manter entre 10 e 15 pessoas ativas no programa de forma simultânea.

O secretário explicou que para participar do programa, a pessoa precisa estar acolhida na Casa Pop e querer fazer parte das ações. A Casa Pop que funciona no Bairro Santa Felicidade, oferece acolhimento e vem de encontro com o programa, já que a ideia é que as pessoas que participam voltem a ter uma rotina com horários a cumprir e tarefas, que vão desde atender a telefone até ajudar na organização de setores.

“As próprias secretarias municipais solicitam ajuda do programa, em algumas ações e essas pessoas começam a ter uma nova vida”, disse o secretário. Com o tempo de trabalho e de acolhimento, a equipe da secretaria acompanha o desenvolvimento de cada cidadão e busca, na sequência do programa, uma vaga para emprego formal em que a pessoa consiga gerar uma renda maior e, em seguida, ir se desvinculando do serviço municipal para “caminhar com as próprias pernas”. “Este é um trabalho formiguinha que faz a diferença”, salientou Hudson Moreschi.

 

Ampliação

Para atender a uma demanda maior de pessoas, especialmente com a chegada das estações mais frias, o serviço da Casa Pop recebeu melhorias internas de infraestrutura e tendas foram instaladas na parte externa e adaptados novos quartos. “Passamos de 60 para 90 vagas. Temos uma equipe multidisciplinar no local para ajudar nos serviços”, explicou o secretário, lembrando ainda que tem algumas pessoas que vivem no local há mais de cinco anos, algumas com problemas de saúde física e mental, com a maior parte delas sem contato com a família, sem condições de viverem sozinhas e nem de terem um emprego.

 

Outros serviços

Outro serviço para atender as pessoas em situação de rua é o Centro Pop, que funciona atualmente no Bairro Coqueiral e, diariamente, atende uma demanda espontânea de até 70 pessoas. Neste local a pessoa pode se alimentar, troca de roupa, tomar banho ou ainda viabilizam uma passagem de ônibus para retorno as suas cidades de origem. Também é um local que faz encaminhamentos para a Casa Pop.

Albergue Noturno André Luiz que tem 50 vagas que foram cofinanciadas pelo Município por meio de um chamamento público também acolhe pessoas em situação de ruas para banho, alimentação e um local para passar a noite em segurança. O Município de Cascavel faz o repasse de cerca de R$ 45 mil para auxiliar o atendimento que é mantido pela a própria entidade de faz a promoção de ações para conseguir manter a estrutura, além de arrecadar doações, já que apenas os custos do serviço, são pelo menos o dobro do valor repassado pelo Poder Público.

 

Abordagem social

Para conseguir identificar e fazer um “raio-x” das pessoas em situação ruas, existe também o trabalho de abordagem social que é feita pelas equipes dos educadores que ficam nas ruas e trabalham 24 horas por dia. São duplas que revezem nos atendimentos diários.

De acordo com o secretário de Assistência Social, desde o início da pandemia, houve um aumento de pessoas que estão “sobrevivendo das ruas”, usando a rua como forma de sustento, apenas pedindo dinheiro ou vendendo “balas e doces” ou um “pano de prato”. “A estimativa é que existe cerca de 400 pessoas vivendo nas ruas hoje, mas é um levantamento prévio, já que além das famílias da cidade, temos ainda pessoas de outros países”, disse.

O secretário lembrou ainda que a Secretaria de Assistência Social mantém uma campanha que reforça a importância de não dar esmola, que caba alimentando e até incentivando esse tipo de situação, sendo que existe uma estrutura preparada para atender estas situações.

 

 

Foto: Arquivo/Secom

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