Cascavel – Se há um alimento que não sai da mesa do brasileiro é o arroz. O grão faz parte diariamente do cardápio. No entanto, apesar dessa importância, a produção do cereal em Cascavel e região é insignificante. Conforme os dados do Deral (Departamento de Economia Rural), nos 28 municípios da regional, o cultivo chega a apenas 1% de toda a produção estadual.

No campo, é raro encontrar uma várzea com o grão plantado. As lavouras cascavelenses, por exemplo, estão repletas de soja, milho, trigo ou feijão, mas o arroz sequer é encontrado em poucas proporções na zona rural. No Paraná, são produzidos dois tipos do grão: o sequeiro e o irrigado.

Na safra de 2014/2015, a produção foi de 140 toneladas do sequeiro, em 67 hectares, uma queda de 62% em relação ao cultivo anterior. Já o arroz irrigado teve melhores resultados, com uma produção de 840 toneladas, em 134 hectares. Contudo, também apresentou queda, com recuo de 4% à safra anterior. Em âmbito estadual, as regiões Norte e Noroeste são as principais produtoras, mesmo assim, sem grande relevância no cenário nacional.

Conforme a economista do Deral, Jovir Esser, um dos fatores para a baixa produção é a questão da competitividade do grão.

“É claramente uma situação de mercado, de renda mesmo. Se avaliar questão de clima, solo, produtividade, o que dá mais rentabilidade acabam sendo outras culturas, como soja e milho. Para o arroz, inclusive, não temos grandes áreas na região. De fato, nossa produção é insignificante”, comenta.

O gerente administrativo de uma empresa cerealista de Santa Tereza do Oeste, Odair Carlos Redivo, enfatiza que na região quase ninguém planta, visto que são casos isolados. Com isso, ele busca o cereal em outros estados, principalmente no Rio Grande do Sul.

“Cerca de 60% da produção nacional é do RS, aqui no Paraná os grandes cultivos ocorrem no Norte, como em Santa Isabel do Ivaí. Mas, na nossa região mesmo, é difícil”, pontua. 

Ele acrescenta ainda que Santa Catarina também é um estado com bastante representação no cultivo de arroz, inclusive é o estado que mais tem o tipo parbolizado. Já em relação ao preço ao consumidor final, a avaliação é pontual.

“O arroz é um produto muito barato. Ele não sofre muita oscilação. Há de vários tipos e de todos os preços, mas um valor que se mantém”, diz Redivo.

Moinho em desuso

No moinho de Marli Brandalize, os equipamentos usados para descascar o arroz estão parados desde o ano passado.

“Na verdade, hoje quem planta é só para subsistência, mesmo assim não vejo nem semente pela região. Ano passado, ainda tinha nos assentamentos, mas agora nem eles plantam mais o grão. Há uns 15 anos, minha mãe trabalhava noite e dia com o produto, mas com o passar do tempo as culturas como soja e milho dominaram o mercado e ninguém mais opta pelo cereal. Hoje eu digo que as crianças não vão mais ver uma plantação de arroz, vão pensar que já nasce ali no pacote, já embalado”, observa.

(Com informações de Crislaine Güetter)