COTIDIANO

Com onda de crimes e violência, Oeste espera “reação robusta” das autoridades

31 de julho de 2022 às 10:21
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Cascavel – O Oeste do Paraná é uma das regiões mais importantes no cerne econômico e político para o Paraná. Entretanto, a população tem se sentido vulnerável por conta da onda de crimes e de violência verificada nos últimos meses em Cascavel e em alguns municípios da região.

Tanto que, recentemente, a Acic e o G8 – grupo formado pelas principais entidades do Município -, entregaram ao governador do Paraná, Ratinho Junior, um ofício com um relato sobre a preocupação da comunidade com os índices de ocorrências contra a vida e contra o comércio. A reivindicação é por um plano de ação para conter as investidas da criminalidade, com o destacamento de mais agentes e equipamentos.

Recentemente, o ranking de competitividade dos estados coloca o Paraná na quinta posição de qualidade na segurança pública. A evolução é de três posições em comparação com os levantamentos de 2020 e 2021. O Relatório Estatístico Criminal da Segurança Pública do Paraná mostra que nos primeiros três meses do ano, 254 cidades paranaenses não registraram homicídios. Isso representa 63% dos municípios do Estado.

A equipe de reportagem de O Paraná manteve contato com a Comunicação da Sesp (Secretaria de Estado de Segurança Pública) à procura de informações sobre investimentos previstos para serem feitos na região e um plano de ação como forma de combater com mais rigor a criminalidade. Em nota, a Secretaria informou que “o Paraná reforçou a força-tarefa de combate aos crimes fronteiriços, em especial ao tráfico de armas, drogas, contrabando e descaminho. Nos 139 municípios que abrangem a área de fronteira do Estado, foram intensificadas operações conjuntas e inauguradas novas sedes, além de investimentos em veículos e pessoal”.

 

Gabinete de Gestão

De acordo com a Sesp, foi reativado o Gabinete de Gestão Integrada de Segurança Pública Estadual, com foco na troca de informações e na elaboração de medidas em conjunto entre órgãos estaduais, municipais e federais, a intenção é reforçar a integração entre as forças.

O Governo do Paraná investiu em veículos e equipamentos para as unidades de fronteira e rodovias. Foram entregues fuzis, munições e miras holográficas para serem usadas no armamento portátil disponível, possibilitando uma maior capacidade de resposta das equipes policiais. Foi realizada ainda a entrega de equipamentos de proteção como coletes balísticos, capacetes balísticos e capacetes de motociclista. Além disso, foram repassados rádios transceptores, impressoras, computadores, monitores, notebooks, cintos de guarnição, cadeiras, lanternas táticas e binóculos de visão noturna.

O Governo do Paraná destaca ainda outros aportes, como a inauguração de novas sedes das Companhias do Batalhão de Polícia Militar de Fronteira em Santo Antônio do Sudoeste e Umuarama. Também iniciou a construção da Companhia do Batalhão de Polícia de Fronteira de Guaíra, em parceria com a Itaipu Binacional, que custeará a obra no valor de R$ 19,2 milhões. Além disso, foi construída a sede definitiva do Batalhão de Fronteira em Marechal Cândido Rondon, um investimento de R$ 32 milhões.

Crédito: Divulgação

Conseg obra aumento de efetivo

Tido como um dos Conselhos de Segurança mais atuantes do Paraná, o Conseg de Cascavel também manifesta preocupação com os índices de ocorrências verificados nos últimos meses, principalmente àqueles relacionados ao comércio. Para o atual presidente, Mauri Barbosa, o demonstrativo sobre a segurança, divulgado pelo Governo do Paraná “está na contramão” do Oeste. “A população está desacreditada e não faz questão de recorrer ao B.O. Essa postura compromete principalmente as estatísticas”, comenta.

Para Mauri Barbosa, é preciso destacar que apesar de todos os esforços do setor de segurança pública em Cascavel, a principal demanda é de um maior efetivo.  “Mas volto a frisar: mesmo com o baixo efetivo, posso falar com propriedade, pois tenho participado das operações de acolhimento e o trabalho tem sido desempenhado com muita sensatez, envolvendo todas as forças de segurança da cidade”. E completa: “Desconheço hoje uma cidade que conta com esse exemplar serviço de dedicação por parte da polícia militar e guarda municipal”.

 

VIZINHO SOLIDÁRIO

Um dos programas que têm feito a diferença no quesito segurança, principalmente no que tange aos bairros, é o Vizinho Solidário. “É a nossa grande linha de frente. Algo que funciona bem. Para se ter uma ideia, nos últimos dias tivemos a adesão e interesse por mais três bairro de Cascavel. Isso demonstra a eficiência do programa”, salienta Barbosa, que também responde pelo Vizinho Solidário, do bairro Nova Iorque. “Tínhamos um grande número de assaltos e arrombamentos naquela região da cidade e reduziu drasticamente a partir da implantação do programa”.

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“Pandemia gerou defasagem de efetivo”, diz comando do 5º CRPM

Cascavelense da gema, como ele mesmo se autodenomina, o comandante do 5º CRPM (Comando Regional de Polícia Militar), com sede em Cascavel, coronel Sergio Almir Teixeira, recebeu a reportagem de O Paraná para avaliar todo o trabalho de segurança pública desempenhado nos 94 municípios correspondentes à área de cobertura do 5º CRPM – Oeste e Sudoeste do Paraná.

Questionado sobre de fato, a região vive um aumento de criminalidade nos últimos meses, o comandante afirma que “vivemos momentos diferentes nos últimos anos”. Segundo ele, existem três períodos: antes, durante e pós-pandemia. “O anterior, já conhecemos. Já a etapa no transcorrer do processo, foi preciso se adaptar, com momentos em que a criminalidade era quase zero, pois ninguém circulava pelas ruas, ou seja, o índice de ocorrências era baixíssimo”, exemplifica. Segundo ele, esta geração nunca havia vivido tal experiência por conta da pandemia. “Ainda estamos em fase de adaptação e muitos processos precisaram ser reavaliados”.

Outro ponto destacado pelo coronel, diz respeito à ausência de formação de policiais nos últimos dois anos, em virtude das orientações de segurança em saúde pública. “Os concursos foram cancelados. Não foi por conta da falta de investimento do governo estadual, mas, sim, pelo momento delicado vivido por todos e pela aposentadoria de muitos policiais. Por conta das restrições, o governo não pode fazer a reposição imediata do quadro, o que já começa a mudar a partir de agora”.

O poder de combate também mudou em comparação com os últimos anos, na ótica do coronel Teixeira. “A população cresceu. A criminalidade se desenvolveu. Aquele crime represado durante a pandemia, talvez agora esteja recuperando o ‘tempo perdido’ e é preciso se readaptar”. Para ele, não se pode dizer que a região vive uma onda de criminalidade, mas sim, “um momento diferente, que precisamos reavaliar”.

 

PRENDE E SOLTA

Uma das questões bastante polêmicas é o fato da polícia prender o indivíduo e no outro dia ele já na rua. “Não é uma mera questão de legislação. É muito fácil apontar um culpado e jogar todo o peso da responsabilidade para o Judiciário, mas não é bem assim. O maior desafio é o sistema. É bem simples: se tivéssemos uma legislação mais rígida, sem audiências de custódia, cujo elemento fosse detido e já encarcerado, onde colocaríamos todos?”, questiona.

De fato, o sistema prisional, já sobrecarregado, entraria em colapso. Ele defende uma evolução do atual sistema, desde as polícias até a legislação e a parte de custódia, entretanto, esse avanço não acontece do dia para a noite. “É preciso haver equilíbrio entre prisão, julgamento e custódia”.

 

O coronel

Natural de Cascavel, o coronel Sergio Almir Teixeira iniciou a carreira na Polícia Militar em 1990, ingressando no curso de formação de oficiais. Formando aspirante oficial em 1992, seguiu toda a sua trajetória e se formou em Direito. “Servi metade de minha carreira na capital paranaense”, comenta o coronel, que é filho e sobrinho de policiais, seus grandes incentivadores. Teixeira está à frente do 5º Comando Regional há dois anos.

Crédito: Vandré Dubiela

 

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