Dados do Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social) apontam para um cenário preocupante: de janeiro a julho deste ano, 342 vagas formais de emprego foram eliminadas em Cascavel entre um público bem específico – são os trabalhadores com mais de 50 anos de idade. Os homens são a maioria nesse público: 57%.

O diretor-presidente do Ipardes, Julio Suzuki, indica um fator preponderante para esses índices negativos. “Houve uma antecipação dos pedidos de aposentadoria. As demissões, na maioria dos casos, ocorreram a pedido do próprio trabalhador. Isso se dá principalmente porque, no contexto econômico atual, muito provavelmente ocorrerá algo em relação à Previdência Social, independente do resultado das eleições”, diz Suzuki, que vê como certa a reforma da Previdência para o próximo ano.

Só que toda essa antecipação pode causar, lá na frente, a escassez de mão de obra por conta do processo de envelhecimento populacional.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o percentual de idosos chegará a um quarto da população em 2060, quadro decorrente da redução na taxa de fecundidade e do aumento da expectativa de vida do brasileiro – hoje de 77,9 anos para homens e 84,2 anos para as mulheres.

“A população está envelhecendo, cada vez menos pessoas integram no mercado de trabalho. Do ponto de vista econômico, o ideal é que, embora atinjam a terceira idade, essas pessoas estendam suas atividades laborais e contribuam com o sistema. Esse extrato da população é muito importante para o desenvolvimento econômico”, afirma Suzuki.

Substituídos

Já entre aqueles que não se desligam do emprego por conta própria, a principal motivação para a demissão é a substituição por uma mão de obra mais barata: a jovem, especialmente aqueles recém-formados ou com pouca experiência no mercado, que serão remunerados bem abaixo do que o trabalhador de carreira.

“Geralmente, a remuneração dos trabalhadores mais antigos é mais elevada do que a de um jovem recém-formado. E é aí que ocorre o processo de troca, que é algo natural, principalmente quando se passa por uma situação econômica difícil como a atual, em que as empresas precisam reestruturar seus custos”, comenta o diretor-presidente do Ipardes, Julio Suzuki.

Setores

Entre os 19 setores econômicos avaliados pelo Ipardes, o comércio foi o que mais desempregou pessoas de 50 a 64 anos e de 65 anos acima. Ao todo, 124 postos formais de trabalho foram fechados de janeiro a julho. Nesse caso, os mais afetados foram os homens, com 76 desligamentos.

Na lista ainda estão a indústria da transformação, que eliminou 86 vagas, a agricultura, pecuária, pesca e aquicultura (-62) e os serviços de transporte (-29).

Legenda:

Em vias de reforma, trabalhadores têm pressa em se aposentar

Reportagem: Marina Kessler

Foto: DIVULGAÇÃO