Quem diria. Elas já foram lavouras tradicionais no verão, mas ano após ano estão definhando em todo o oeste do Paraná. “Não dá mais, cultivar feijão é perda e prejuízo na certa”, conta o pequeno produtor Elias Klaus.

Isso significa que um dos cereais mais acolhidos no prato dos brasileiros, ao menos foi até pouco tempo, está desaparecendo das plantações do oeste e de outras regiões do estado.

Não por acaso, especialistas, técnicos, extensionisats e pesquisadores têm se reunido, com frequência, em busca de alternativas para ampliar cultivo e consumo.

Os reflexos disso estão nos números. O feijão teve mais uma redução expressiva de área e a tendência, segundo quem acompanha o setor, é delas acabaram no oeste paranaense.

O chamado feijão das águas, que em 2017 ocupava 4.350 hectares em municípios como Três Barras, Corbélia e Cascavel, chega neste ciclo com apenas 3,5 mil hectares, redução de 20%.

Para o técnico do Deral (Departamento de Economia Rural) José Pértille, lotado no Núcleo Regional da Seab (Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento) de Cascavel com cobertura em 28 municípios, a justificativa está na soma de dois fatores. Como se trata de uma cultura de risco para o período, o clima tem castigado as lavouras de feijão ciclo após ciclo. Somado a isso, o preço também não tem contribuído, tornando o grão cada vez menos competitivo com outros, tanto na safra de verão – como é o caso da soja e do milho, quanto de inverno, quando se repete o milho e até mesmo o trigo.

Neste momento, 100% da área estão cultivadas. Metade delas está em desenvolvimento vegetativo e metade em germinação.

A produção esperada é de apenas 9.570 toneladas que devem ser colhidas somente no fim do ano.