Cada um por si

Por Carla Hachmann

Todos são pelo bem do Brasil, desde que… não mexa em seus interesses. Isso nunca ficou tão evidente quanto agora, na discussão da reforma da Previdência.

Mexeu com policiais, é confusão. Alterou idade para mulheres, briga à vista. Professores? Nem pensar. Homem do campo, outra discórdia.

Enfim, todos concordam que a reforma é necessária, que o rombo é insustentável e que alguém vai ter que pagar a mais. Agora, quem vai ficar com a conta? Fácil! Aquele que chorar menos.

Ou seja, a corda vai arrebentar para o lado mais fraco. Para aquele sem categoria, com pouca representatividade, e que, muito provavelmente, é quem menos recebe aposentadoria.

Mas o jogo é esse. Cada um puxando a corda para o seu lado na esperança de que a ponta fique com outro.

E aquela história de que “cada um terá que fazer um sacrifício”? Só discurso para aparecer bonito antes da decisão final.

O Brasil não tem maturidade suficiente para discutir assuntos tão sérios. Não sabemos compartilhar, dividir, para somar. A ordem é pegar o máximo para si sem perder nada. Se der, quem sabe ainda ganhar mais um pouquinho…

De que adianta técnicos discutirem, calcularem, recalcularem, organizarem, estudarem e elaborarem um novo texto, que poderia dar algum alívio (longe ainda do ideal), se na hora H os parlamentares esquecem do todo e precisam “defender o seu”?

Enquanto formos o “país do jeitinho”, não haverá jeito para o Brasil.

 



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