De cerca de 6 mil pesquisadores de 21 áreas diferentes do conhecimento, 12 brasileiros
estão entre os mais influentes do mundo, segundo a consultoria internacional Clarivate
Analytics. O principal deles é o físico Paulo Eduardo Artaxo Netto, da Universidade de São
Paulo (USP), seguido por Paulo Andrade Lotufo e Guilherme Vanoni Polanczyk, da
Faculdade de Medicina da USP, e Carlos Augusto Monteiro, da Faculdade de Saúde
Pública da mesma universidade.

O ranking é elaborado levando em conta o número de citações por artigos publicados em
um período de 10 anos. Os nomes escolhidos representam 1% do total de pesquisadores
do mundo com altas taxas de citações em outros artigos. Artaxo, por exemplo, foi
mencionado em 2014, 2015 e 2018. Professor do Instituto de Física da USP, ele desenvolve
estudos sobre mudanças climáticas globais, meio ambiente na Amazônia e poluição do ar
em regiões urbanas.
Suas pesquisas mais citadas internacionalmente são sobre o impacto de emissões de
queimadas na saúde pública e no meio ambiente amazônico e sobre como o processo de
ocupação da Amazônia está afetando o ciclo hidrológico na região.
Além deles, outros brasileiros citados pela consultoria são Alvaro Avezum, do Instituto de
Cardiologia Dante Pazzanese; Luísa Gigante Carvalheiro, da Universidade Federal de

Goiás; Adriano Gomes da Cruz, do Instituto Federal do Rio de Janeiro; Daniel Granato, da
Universidade Estadual de Ponta Grossa (PR); Miriam Dupas Hubinger, da Unicamp; Renata
Valeriano Tonon, da Embrapa; e Ana Maria Baptista Menezes e Cesar Gomes Victora, da
Universidade Federal de Pelotas (RS). Os brasileiros se destacaram nas áreas de ciências agrárias, meio ambiente, geociência, medicina e ciências sociais.

Miriam Hubinger, por exemplo, ficou famosa entre seus pares por suas pesquisas a partir da
polpa do açaí desenvolvidas na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Nós tentamos estabilizar essa polpa, secá-
la e fazer com que ela conservasse propriedades antioxidantes se tivesse uma vida de
prateleira, uma vida útil grande, e isso foram artigos publicados em 2009, que depois de 10
anos sendo muito citados estão sendo reconhecidos”, explicou ela à Agência Brasil.
Álvaro Avezum, por sua vez, já tinha sido lembrado pela agência britânica Reuters em 2014
como um dos cientistas brasileiros com produção acadêmica de maior impacto no mundo
em uma lista de 3.215 pesquisadores. Ele ajudou na parte brasileira do estudo internacional
"Interheart”, que mapeou os fatores de risco de infarto em 52 países. Já Luísa Carvalheiro,
que chegou neste ano à UFGO, estuda como alterações ambientais podem afetar o
funcionamento dos ecossistemas, além de entender como a complexa rede de interações
ecológicas na qual as espécies estão envolvidas regula tais efeitos.

No ranking da Clarivate, os Estados Unidos estão na liderança de pesquisadores
mencionados: 2.639 ao todo. Em seguida estão o Reino Unido, com 546, e a China, com
482. As três primeiras universidades mais citadas são estadunidenses: Harvard, National
Institutes of Health e Stanford, que tem 100 pesquisadores entre os mais citados.