Brasília – O Brasil ficou estagnado e pelo terceiro ano consecutivo no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) é o 79º entre os 189 países analisados, e o quinto na América Latina, atrás de Chile, Argentina, Uruguai e, pasmem, Venezuela. O desempenho brasileiro é bem diferente do apresentado entre 2012 e 2014, período em que o País avançou seis posições na classificação.

Relatório do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano), divulgado nessa sexta-feira (14), aponta que o Brasil alcançou a nota 0,759 – isso é, apenas 0,001 a mais do que o obtido no ano anterior. A escala vai de zero a um. Quanto mais próximo de um, maior o desenvolvimento humano.

O IDH avalia o progresso dos países com base em três dimensões: saúde, educação e renda. Os indicadores brasileiros usados para fazer o trabalho são de 2017.

A coordenadora da unidade de Desenvolvimento Humano do Pnud, Samantha Dotto Salve, foi diplomática: “Estamos recebendo os dados agora”, e lembrou que o número de países analisados passou de 188 para 189.

Além de revelar a estagnação, o trabalho mostra que o Brasil continua sendo um país extremamente desigual. Se as diferenças fossem levadas em consideração, o País cairia 17 posições na classificação.

Noruega lidera

O primeiro colocado no ranking preparado pelo Pnud é a Noruega, que apresentou indicador 0,953. Em seguida, vêm a Suíça, com 0,944, e a Austrália, com 0,939. Niger, o último colocado, apresenta IDH de 0,354.

Com a pontuação obtida, o Brasil continua no grupo classificado como de Alto Desenvolvimento Humano. Além do Brasil, outros 60 países mantiveram sua colocação no ranking. Na América do Sul, Argentina, Chile e Suriname. De todo o grupo, 34 países subiram no ranking e 94 tiveram queda. Na América do Sul, apenas o Uruguai melhorou sua posição do ranking, passando de 56º para 55º.

Por áreas

Um dos indicadores responsáveis pela manutenção do posto do Brasil no ranking foi a saúde. A esperança de vida ao nascer do brasileiro é de 75,7 anos, um indicador que ano a ano vem apresentando melhoras. Em 2015, por exemplo, era de 75,3. A área de conhecimento, por sua vez, apresenta poucas alterações.

O desemprego no Brasil entre a população jovem é o maior da América do Sul: 30,5%. Dos jovens com idade entre 15 e 24 anos, 24,8% não trabalham e não estudam. No Uruguai, a marca é de 18,7% e na Argentina, 19,7%.

Desigualdade

O Brasil perde 17 posições na classificação do relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento quando a desigualdade é levada em consideração. A queda é a mesma que a apresentada pela África do Sul e menor apenas que a sofrida pelo arquipélago Comores, de 18 colocações. Se for considerado o coeficiente de Gini, que mede a concentração de renda, o Brasil é o nono mais desigual.

As diferenças são constatadas na renda e também no gênero. O IDH dos homens brasileiros é de 0,761 enquanto o das mulheres é de 0,755. Embora mulheres tenham maior expectativa de vida e indicadores melhores na área de conhecimento, elas ganham 42,7% menos do que os homens.