Brasília – Pressionado pelo Centrão e com a popularidade em queda, o presidente Jair Bolsonaro confirmou que fará uma reforma ministerial na próxima segunda-feira (26) para fortalecer sua base de sustentação no Congresso. A novidade será a entrada do senador Ciro Nogueira (PI), presidente do Progressistas, na Casa Civil. Sem conseguir enfrentar até agora acusações que pesam contra o governo na CPI da Covid no Senado, Bolsonaro vai mudar a articulação política do Palácio do Planalto e desmembrar o Ministério da Economia.

Com a mudança, o Centrão entra agora no núcleo duro do governo, no Palácio do Planalto. O general Luiz Eduardo Ramos, que hoje comanda a Casa Civil, será deslocado para a Secretaria-Geral da Presidência, atualmente nas mãos de Onyx Lorenzoni. Considerado um curinga do governo, Onyx irá para o Ministério do Trabalho e Emprego, pasta que hoje está sob o guarda-chuva da Economia e será recriada.

O Progressistas é o principal partido do Centrão e, além de Ciro, tem como expoentes o presidente da Câmara, Arthur Lira (AL), e o líder do Governo na Casa, Ricardo Barros (PR), atualmente na mira da CPI da Covid.

Conforme divulgado pelo Estadão, o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) teria sido o primeiro nome a ser chamado para comandar a Casa Civil e a Secretaria Geral da Presidência, mas não quis. Ex-presidente do Senado, Alcolumbre comanda a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e tem mostrado resistência à indicação do advogado-geral da União, André Mendonça, para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal. A CCJ vai sabatinar Mendonça em agosto.

Bolsonaro disse ontem que fará uma “pequena reforma” no ministério, prevista para segunda-feira. Em entrevista à rádio Jovem Pan Itapetininga, o presidente afirmou que os novos ministros foram escolhidos “com critérios técnicos”, sem dar mais detalhes. “É para a gente continuar administrando o Brasil”, justificou.

Trabalho e Emprego é o segundo ministério recriado por Bolsonaro para acomodar a base aliada. No ano passado, o presidente relançou o Ministério das Comunicações para nomear o deputado Fábio Faria (PSD-RN), que está de malas prontas para o Progressistas e também despacha no Planalto, ao lado de Flávia Arruda (PL) na Secretaria de Governo.

Novos postos

Desde o início do Governo Bolsonaro, Onyx já mudou três vezes de ministério: foi chefe da Casa Civil, comandou a pasta de Cidadania, está hoje à frente da Secretaria-Geral e vai assumir o Trabalho. Dirigentes do Centrão avaliam que Onyx só trabalha para construir sua candidatura ao governo do Rio Grande do Sul, em 2022, e não ajuda na articulação política. Além disso, a percepção desses aliados é que a forma como ele atacou o deputado Luis Miranda (DEM-DF) – que acusou o governo de acobertar um esquema de corrupção nas negociações para compra da vacina indiana Covaxin – provocou efeito bumerangue e acabou agravando a situação de Bolsonaro na crise.

Já o general Ramos vem sendo apontado por governistas como o ministro que deu informações erradas ao presidente sobre a votação do fundo eleitoral de R$ 5,7 bilhões, na semana passada, fazendo com que Bolsonaro acusasse o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), de “atropelar o regimento” na votação da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias).

O deputado presidia a sessão que sancionou a LDO e o fundo que agora Bolsonaro promete vetar. O presidente o chamou de “insignificante” e atribuiu a ele a aprovação da verba “astronômica” para financiar campanhas eleitorais.

“Eu não sabia, estou em choque. Fui atropelado por um trem, mas passo bem”, disse ontem o general Ramos, confirmando depois que o presidente havia lhe comunicado sobre sua substituição por Ciro Nogueira, mas não sobre sua eventual ida para a Secretaria-Geral da Presidência.