Avanços na oncologia proporcionam mais qualidade de vida aos pacientes

A cirurgia minimamente invasiva, por exemplo, proporciona mais agilidade na recuperação

Por muito tempo, ao receber o diagnóstico do câncer, o paciente se via perdido, como se estivesse recebendo uma sentença de morte. Com o avanço da Medicina, essa visão tem se diluído diante de uma nova realidade, ligada à evolução tecnológica e melhora nos procedimentos. Por isso, o Dia Mundial do Câncer (lembrado no dia 04 de fevereiro) se faz importante: é preciso ter um dia para lembrar que o tratamento contra o câncer tem novos caminhos a serem percorridos.

Um dos exemplos diz respeito aos procedimentos: as cirurgias minimamente invasivas são consideradas um verdadeiro salto de qualidade para os pacientes oncológicos. A técnica tem garantido benefícios e, principalmente, vem quebrando tabus relacionados ao câncer e ao tratamento.

“De maneira geral, esse procedimento já é bem difundido e seus benefícios consolidados. Ele já era realizado de forma bem ampla para outras condições, como a retirada da vesícula, por exemplo. Mas existia uma barreira que, por muito tempo, travou o avanço dessa técnica na oncologia. Nesta área, portanto, é uma inovação, ainda mais nos casos mais complexos de câncer”, detalha o médico, doutor Bruno Kunz Bereza, especialista em cancerologia cirúrgica com ênfase em cirurgia minimamente invasiva, com foco na área gastrointestinal.

No caso de cirurgias na área do aparelho digestivo, foco da atuação do médico Bruno Kunz Bereza, por exemplo, praticamente todos os órgãos podem ser tratados com a técnica. Deste modo, as cirurgias tendem a ser mais complexas, o que demanda treinamento árduo e prolongado para a execução. Neste sentido, é possível afirmar que a diferença ao adotar a técnica de menor invasão vai muito além do corte e da questão estética, segundo Bereza.

“A cirurgia pouco invasiva é realizada por orifícios, com pequenas incisões, com menor manipulação, menor perda sanguínea e uso de instrumentos mais modernos. O paciente tem menor tempo de internação, menor dor pós-operatória, menor necessidade de uso de medicações para controle de dor e náuseas, além de outras complicações que são menores nas cirurgias minimamente invasivas, como hérnias devido ao corte, infecções de ferida operatória e cicatrizes profundas”, complementa o médico.

Os benefícios, no entanto, vão muito além do pós-operatório imediato. Segundo o médico, após a realização da cirurgia, o paciente consegue retornar à rotina de modo mais facilitado e menos doloroso.

“Os pacientes submetidos a cirurgia minimamente invasiva têm esses benefícios por terem tido menos complicações e retornado mais rápido às suas atividades. Por isso, desde que o paciente não tenha nenhuma contraindicação, essa técnica deve ser optada. Quanto menor a agressão que você realizar ao paciente, melhor a chance dele se recuperar. Aumentam as chances de cura e, também, dele realizar algum tratamento complementar, como quimioterapia pós-cirurgia”, afirma Bereza.

Esse avanço no tratamento oncológico está alinhado com o entendimento de que, atualmente, não basta mais tratar e curar o câncer. Para o médico, é preciso oferecer ao paciente a possibilidade dele tratar a doença com menos possibilidades de sofrer sequelas futuras.

“É preciso devolver esse paciente como ele chegou ou talvez melhor. Queremos tratar, curar e deixar as pessoas sem sequelas. Queremos que o paciente faça o tratamento e, durante este processo, continue sua vida com sua família e, talvez, seu trabalho, podendo passar pela doença como se estivesse tratando uma gripe. Essa técnica veio para quebrar a barreira do paciente com câncer como um tabu. O câncer precisa ser tratado de uma forma complexa sem deixar marcas para o resto da vida”, diz Bruno Kunz Bereza.

Em Cascavel, o CEONC Hospital do Câncer realiza as cirurgias minimamente invasivas há mais de 15 anos, sendo que há mais de 6 anos, com investimentos expressivos em tecnologias e treinamentos, a técnica passou a ser aplicada em procedimentos de altíssima complexidade. Com constantes atualizações, o hospital tem conseguido cada vez mais melhores resultados.

“O importante é considerar o resultado. Não basta apenas utilizar a técnica: é preciso oferecer ao paciente um resultado satisfatório, de modo que ele possa tratar a doença de forma eficiente”, conclui Bereza.

Dia Mundial do Câncer
O Dia Mundial do Câncer é uma iniciativa global organizada pela União Internacional para o Controle do Câncer (UICC) com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS). A data, criada em 2000, tem como objetivo aumentar a conscientização e a educação mundial sobre a doença, além de influenciar governos e indivíduos para que se mobilizem pelo controle do câncer.

Segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer), estima-se que 1,5 milhão de mortes anuais por câncer poderiam ser evitadas com medidas adequadas. Por isso, o diagnóstico precoce e a prevenção são fatores importantes. Entre as medidas indicadas para reduzir os riscos de ter a doença está a adoção de hábitos saudáveis e a realização de exames preventivos, conforme orientação médica.



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