Após participar de ato contra Temer, vice-procuradora-geral da República pede para sair

BRASÍLIA – A vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko, pediu exoneração do cargo nesta terça-feira. O pedido foi aceito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a quem cabe definir o sucessor de Ela. Mais cedo, o site da revista “Veja” revelou que vice-procuradora participou em Portugal de um ato contra o presidente interino Michel Temer e contra o processo de impeachment que afastou a presidente Dilma Rousseff do cargo.

Unimed

O ato ocorreu em junho. Na ocasião, ela ajudou a segurar uma faixa em que estava escrito “Fora Temer” e “Contra o golpe”. O vídeo em que ela aparece foi publicado em 28 de junho pela TVT, mantida pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e pelo Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região. A TVT não fez referências a Ela no vídeo. Sua presença no ato foi notada pelo site da “Veja”.

Ela Wiecko ocupa o segundo posto mais alto da Procuradoria-Geral da República (PGR) e atua, por exemplo, nos processos da Operação Lava-Jato em curso no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Procurada pelo GLOBO, nem a vice-procuradora nem a PGR quiseram se manifestar. À “Veja”, ela disse não ver problemas em participar da manifestação. Na nota da PGR anunciando sua saída do cargo, não há referências ao episódio.

A portaria com a exoneração foi assinada por Janot nesta terça-feira e ainda será publicada no Diário Oficial da União. A escolha de quem vai ocupar o posto cabe ao procurador-geral. Em 2013, ele escolheu Ela Wiecko, segunda colocada na eleição interna feita naquele ano em que o próprio Janot saiu vencedor para assumir o cargo de procurador-geral.

No vídeo, há um discurso do sociólogo e professor português Boaventura de Sousa Santos, que chama o processo de golpe. No fim, há várias pessoas gritando “Fora Temer”. Segundo a TVT, são estudantes de 15 países participando de um curso de verão. No movimento de câmera, é possível ver Ela Wiecko segurando a faixa contra o presidente interino.

No começo do mês, Manoel Lauro Volkmer de Castilho, marido de Ela Wiecko, pediu exoneração do cargo de assessor no gabinete do ministro Teori Zavascki, relator dos processos da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão foi tomada após o mal estar provocado por ter assinado manifesto de apoio à defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que recorreu ao Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) contra o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba. Moro é responsável por alguns processos da Lava-Jato que investigam Lula.

JK

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