A Polícia Federal de Cascavel deflagrou ontem a Operação Efialtes, com foco em Cascavel, Catanduvas, Chapecó (SC) e São Bernardo do Campo. A operação visava desmantelar uma rede de transmissão de ordens de líderes organização criminosa que estão presos na Penitenciária Federal de Catanduvas para integrantes que estão em liberdade. O presídio é considerado de segurança máxima.

Conforme as investigações, um agente federal de execução penal que atuava desde 2006 na Penitenciária e mais 23 pessoas foram presos ontem. O servidor estava envolvido com a facção criminosa havia pelo menos quatro anos, considerando seu patrimônio. Ele servia de mensageiro da facção, levando e trazendo cartas e bilhetes da cúpula do crime para fora da prisão. Os bilhetes tinham ordens para ações de tráfico de drogas, aquisição de arma de fogo e outros crimes no Rio de Janeiro.

Além dele, a rede de comunicação contava com a participação de uma advogada, que também atuava na transmissão de ordens de líderes da facção criminosa, informou a Polícia Federal.

Segundo o diretor da Penitenciária Federal de Catanduvas, Carlos Luiz Vieira Pires, as investigações começaram quando a Divisão de Segurança e Disciplina da Penitenciária e a Divisão de Inteligência da unidade identificaram o possível desvio de conduta do servidor e levaram ao conhecimento da direção que, na sequência, repassou as informações para a Polícia Federal, que com apoio do Judiciário e do Ministério Público Federal na condução das investigações.

Com o dinheiro recebido da facção, foram adquiridos pelo menos seis imóveis e carros de luxo, além de movimentações acima de milhões nas contas do servidor nos últimos dois anos. “Tivemos informações de que o servidor da Penitenciária Federal de Catanduvas havia sido corrompido pela cúpula de uma das principais facções que operam no território nacional para atuar nesse repasse e transmissão de ordens não só da penitenciária para fora, mas no recebimento de informações provenientes dos comparsas para municiar essa cúpula”, explica o delegado da Polícia Federal Eder Rosa de Magalhães, representante da Coordenação-Geral de Polícia de Repressão a Drogas, Armas e Facções Criminosas.

Durante as buscas, foram encontrados cartas e documentos que corroboram as investigações.

O agente penal deve responder pelos crimes de associação ao tráfico de drogas, organização criminosa, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro, cujas penas podem ultrapassar 30 anos de prisão.

 

Mandados

Cerca de 90 policiais federais saíram para cumprir 26 mandados de prisão preventiva e dez mandados de busca e apreensão em três estados: Paraná (Catanduvas e Cascavel), Santa Catarina (Chapecó) e São Paulo (São Bernardo do Campo). Dentre os bens apreendidos estão imóveis e carros de luxo. Em Catanduvas, foram presas 16 pessoas e, em Cascavel, sete. Até o fechamento desta edição, dois mandados permaneciam em aberto.

A operação foi batizada de Efialtes em alusão ao nome do homem que traiu sua nação por dinheiro durante a Batalha das Termópilas, quando o exército grego enfrentou o exército persa.